sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do Amigo

Não há nada mais raro que pessoas dispostas à amizade
Ter um amigo é privilégio pra poucos
Já tive a honra até de ser chamado de Melhor Amigo
Em minha vida, tenho pouquíssimos 
Não completam os dedos de minhas mãos, se contados
Mas são os melhores que alguém poderia ser
Não há nada no meu mundo que tenha maior valor que eles
Ter um amigo hoje, já é garantia de felicidade

Desejar Felicidade neste "dia do Amigo" seria redundância...
Parabéns a todos que são ou tem um amigo!



"É triste esquecer um amigo. Nem todo mundo tem amigo. 
E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes,
que só se interessam por números" (Saint Exuperry)



sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dia Mundial do Rock!


Porque que hoje é o dia mundial do Rock afinal?
A parte toda a realização simultânea de shows beneficentes, realizados pelo que havia de melhor no Rock mundial, como um apelo ao combate a fome no mundo, nos anos de 1985 e 2005, gosto de ainda mais de pensar que foi num dia como este, em 2005, que o Pink Floyd se reuniu depois de 20 anos da saída de Roger Waters... Era algo tão improvável quanto a uma eventual aliança política entre Lula e Maluf! (Ops...ê Brasil...)
O Rock não é apenas um gênero músical! É uma filosofia, um modo de ver o mundo desprovido de amarras, onde a amizade é mais importante que a erudição musical ou poética. O Rock é atitude! Não é possível defini-lo! Para além da máxima de Nietzsche acerca da música, posso dizer que pra mim "A vida sem o Rock seria um erro!"

"Wish You Were Here"

Isso é de arrancar lagrimas e fazer pensar e avaliar toda a nossa condição de existência: espremidos entre as regras universalizantes da sociedade e o prazer egoísta (sadio) de estar entre nossos raros amigos!

Viva a amizade! Viva o Rock n' Roll!!!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mundo Maior*

E o mundo de repente aumentou
Todas as fronteiras do universo se expandiram para além do horizonte visível
As portas, todas abertas sugeriam inesgotáveis opções
Nem é preciso ter esperança
Só a necessidade de derramar em palavras a sensação de pertencimento a tudo
Mas quando a esperança morre, é porque vislumbramos a perfeição!
Hoje sim!
Tudo está perfeito
Pelo menos sou agora tudo o que quis ser...
Aqui é só... prazer...
Prazer inexplicável
Em meio à saudade e a doença
Há só harmonia
Harmonia de quem se afina ao destino
Não é claridade
É uma noite escura e fria
Me faltam “riquezas”
Mas meus maiores tesouros estão em algum lugar, desenhando sorrisos
Eu preciso desfrutá-los... Eu posso, mesmo quando distante!
Não há barulho
Um poeta desconhecido silencia ao meu lado...
Sinto sua presença
Acho que é só a poesia
Legando-me novos sonhos...
Vendendo-me novas dúvidas
Trazendo coragem de lutar por algo que não sei o que é
Talvez por paz e guerra
Também por bem e mal,
Por algo que é bom e ruim...
É Tudo
Até o Nada se tem
Vontade imensa de gritar debaixo do sol, ser poeta e ser palhaço
Com a música
Em luz e prazer
Indiferença ao fim que nem planejo
Coragem pra dar mil passos
Olha a coragem me levando!
Acho que já posso dispensar de vez a, agora, inútil esperança
Se foi...

*Uma tentativa de desconstrução a "Mundo Menor", que inaugurou este blog há um ano.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Véspera

Ontem, véspera de hoje, levei meu filho pra espiar pela primeira vez o momento exato em que a luz inaugura um novo dia.
O céu avermelhado, às vésperas do sol, trazia muitas nuvens granuladas, formando o aspecto de escamas.
Estacionei o carro diante da figura da morte, que trajando o azul celeste do nosso time de futebol, trazia a foice em punho, sem assustar...
A presença da morte na parede do estádio, diante do horizonte leste, para além do terminal rodoviário abaixo, é antes uma aliada, que ajuda a melhor aproveitar todos estes instantes únicos que possuímos às vésperas da chegada dela...
O garoto já tinha observado o dia se deitando melancólico no horizonte oeste em um outro ponto da cidade meses antes.
Melancolia é um preconceito meu, pois ao ver o sol apontando timidamente no horizonte, e ganhando força aos poucos, ele me disse que era tão legal quanto o poente.
Antes do sol surgir, contudo, a véspera era só incerteza... Seria legal pra ele? O momento que pra mim é a mais pura representação de beleza arrancou-lhe enfim um sorriso alegre.
Assim ficou marcada a fantástica véspera de hoje. Mas hoje é véspera do aniversário de um ano do "Trágica Mente Falando"...
Incerteza...
Não me lembro se eu pretendia ser poeta, filósofo, músico, cronista, historiador, comentador referenciado... (Existe isso?)
Fui tudo isso, e mais um pouco. Não posso atestar a qualidade dos meus escritos, mas ao menos experimentei, e muita diversidade aconteceu...
Entre poemas trágicos e futebol, rolou de tudo um pouco aqui...
Meu escarnio secreto, de onde tiro vantagem de ser um pesquisador pós-moderno de ofício, é poder ser até positivista, quando me é necessário...
Longe de mim ser incoerente!
Se é pra ser algo, que seja o indivíduo de Heráclito, que passa junto com o rio... A metamorfose ambulante raulseana que morre todos os dias de si e para si.
Sem luto, pois enquanto houver ar entrando pelas narinas, somos apenas organismos raríssimos, vivendo este milagre às vésperas da morte...
...incerteza...
Completar um ano de Blog com um novo texto? Ou nem sobreviver pra ver o sol nascer novamente e ficar por aqui nesta véspera?
Comemorar nostalgicamente todo um longo ciclo de 52 semanas ou projetar novas semanas intercalando silêncio e agitação?
Só incerteza.
Por hora é certo que, também o aniversário do blog amanhã, será uma véspera. A véspera do instituído (pra mim é todo dia) dia mundial do Rock...
Talvez esta véspera seja apenas o número um da trilogia de uma tragédia rock.
As duas ultimas palavras do verso à véspera deste, são tão confusas e passíveis de tantas interpretações, que prefiro não entrar no mérito delas.
Fiquemos com a beleza trágica pós-moderna da incerteza... Tão linda quanto os polos solares do início e do final do dia...
Nesta véspera do ultimo verso, agradeço de antemão as mais de 3100 visualizações que o blog teve neste período. Eu realmente não esperava esta média de 260 visualizações por mês.
A véspera de um momento importante é o melhor momento pra projetar um momento de recordação, mas sem nostalgia - Um momento da morte aliada (como a da falange azul) que nos renova a vida enquanto estamos nesta eterna véspera...

“A vida é uma viagem, bebida sem gelo, engolida às pressas, às vésperas da sede.” (Engenheiros do Hawaii – Curta Metragem)
Luiz Miguel e o Pôr-do-Sol

sábado, 7 de julho de 2012

Poetiproseando um Abraço


Quero poetar e prosear aqui
Te fazer meu abraço sentir

Acolher tuas palavras sem pressa
De domingos que sós, já são festa

Mas pra não parecer negligente
Digitando um abraço somente

Deixo meu "vale abraço" apertado
Que acolhe este blog arretado

Em silêncio, em ruído, em cantando
Sempre estamos poetiproseando...


Na era das artificialidades, me deparei quinta-feira, num hipermercado, com uma constatação curiosa.
O quilo da laranja custava 35 centavos, enquanto que os "sucos" artificiais de "pózinho" giravam em torno dos 80 centavos.
A simulação do suco custa mais que o dobro da matéria prima pro suco natural!
Por que vendem tanto o artificial?
Acho que muitos de nós nos acostumamos com tudo o que é "de bolso", prático, leve...
Seria eu um estúpido se negasse, por exemplo, a funcionalidade de possuir num celular uma série de utilizações práticas para o nosso dia-a-dia.
Mas acho que acabamos exagerando... Cada vez mais distantes da ARTE, nos tornamos a cada dia mais ARTificiais...
O suco natural de laranja é muito mais gostoso e saudável. Mas exige um esforço maior (mesmo com espremedor elétrico) no preparo.
O artificial só precisa ser misturado à água e... Shazan!!! Está pronto!
Uma amiga me mostrou na ultima terça-feira um lampião que ela comprou por 17 reais pra ornamentar e eventualmente iluminar uma das entradas de sua casa. 
No mês anterior ela me contou que viu um enfeite que simulava um lampião, sem ser um, sem o dom de iluminar, pelo preço de 60 reais!
Não vai demorar muito pra darmos mais crédito ao nosso perfil na rede social, do que em nós mesmos!
Se eu disser "eu te amo", será como se eu não tivesse dito se não publicar no facebook.
Se eu for ao Shopping, só poderei confirmar que fui se estiver registrado pelo meu twitter.
Toda esta prosa é só pra tentar deixar um abraço artificial, com intenção de ser real. Algo que dê conta de fazer crer que é muito bom ter a companhia da Tim Gonçales com seu poetiprozeando...
Talvez pareçamos mais rústicos por derramar ideias e sentimentos em um blog... Pelo menos acredito que somos como o lampião: temos atributos para iluminar... Ainda que menos difusos que os poetas/piadistas "fast-foods" das redes sociais.

Acolho com muita alegria este novo espaço das palavras digitadas! Palavras estas, que se não nos salvam diretamente das artificialidades, ao menos apontam pra uma arte em torno da "vida real", onde abraços, palavras e os inenarráveis benefícios da amizade podem ser sentidos/vividos para além da internet, naquele espaço privado onde mais nos aproximamos daquilo que podemos chamar (não sem alguma desconfiança) de "real"...

"E que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer." (Oswaldo Montenegro)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Histórico 4 de Julho no Futebol da Conmebol

Não sei qual torcida é mais chata: a dos corinthianos, ou a dos anti-corinthianos. 
Porém, respeito a todos. É normal a rivalidade. Torci muito contra o Inter na Libertadores retrasada (não deu certo). Em Buenos Aires a torcida do River se juntou ao bando de loucos corinthianos...
Acho que torcemos muito mais por nossos clubes do que pela seleção nacional... Isso é ótimo.
Sou tão apaixonado pelo Londrina Esporte Clube, que me sinto mais a vontade torcendo pela Argentina (AFA) alviceleste do que pela selixão canarinho. Trocaria um paranaense do LEC por qualquer copa do mundo de uma seleção que me agrade.
Em época de Copa do Mundo, gostamos de nos dizer patriotas. AH VÁ!!! Futebol é apenas um esporte. Culturalmente aprendemos a nos apaixonar por ele. Como muitos nascem em Londrina e preferem times de fora do estado, eu prefiro a Argentina. Não me venham os que estão torcendo por mais um título continental da AFA hoje (através de seu federado Boca), encher o saco quando eu torcer de bandeira em punho camisa Argentina nas eliminatórias e na Copa do Mundo...
Título não quer dizer nada. Essa piadinha contra o Corinthians baseada em títulos é tosquissma. Se fossemos privilegiar os títulos pra torcer, todos seriamos São Paulinos no Brasileirão, CBF na copa do mundo, e Independiente (ou Boca) na libertadores...
Futebol é momento. Torcida é paixão...
No momento os melhores times da competição principal da Conmebol foram Corinthians e Boca!
Não estou dividido entre o Boca de Maradona e o Corinthians do meu pai... Ambos merecem o título! Vou apreciar o espetáculo!

Espero que as torcidas não promovam um Armagedom (independente do resultado) neste Independence Day. Violência é coisa de torcedor fanático, alienado, autênticos idiótas...

Que seja o sétima libertadores do boca, ou a primeira do Corinthians, estará em boas mãos...


Será um jogão!
Que vença o melhor!!!






p.s. Espero também que São Jorge não desça da lua de cavalo e espada em punho pra fazer valer a profecia Maya destruindo o mundo com o bando de loucos... hahahaha

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sol Invictus!

Num movimento mágico de eterno retorno, a partir de hoje as trevas da noite cessam de avançar pelos dias em nosso hemisfério. Agora os dias se tornarão cada vez mais longos até o retorno do verão...

"O inverno, hóspede incômodo, instalou-se em minha casa; roxas deixou-me as mãos, o aperto de sua amizade.
Eu o honro, esse hóspede incômodo, mas, de bom grado, deixo-o sozinho. De bom grado, fujo dele; e, quando se corre bem, consegue-se escapar-lhe.
Com pés quentes e quentes pensamentos, corro para onde o vento não sopra – para o recanto ensolarado do meu monte das oliveiras." (Nietzsche - Assim Falou Zaratustra - Parte 3)

Bem Vindo Inverno!!!


sábado, 2 de junho de 2012

Amor Fati - O Ninar do Não


Sim, finalmente reuni forças pra levar meu projeto adiante
Sim, a gente sempre pode se entregar apaixonadamente a qualquer coisa
Sim, somos capazes de manter uma concentração absurda em algo que nos interessa
Sim, todo trabalho pode ser bom se fizer sentido pra nós
Sim, o céu pode ser encantador até nos dias de tempestade...
Sim, até o chocolate mais amargo pode ser chamado de doce...
Sim, sou agressivo com as palavras e às vezes faço questão de afastar as pessoas de mim
Sim, posso ser menos antissocial e posso até aceitar novos amigos nas redes sociais
Sim, vira e mexe estou chorando
Sim, nenhum número é profundo o suficiente pra ter raiz
Sim, sempre encontro um sorriso em meio à dor, para presentear e fazer bem aqueles que eu amo
Sim, ficar em casa às vezes me leva aos mais distantes lugares no tempo e no espaço quando estou com meus livros, filmes, canções e amigos...
Sim, em meio a tanta dor, ainda posso dizer “eu te amo”
Sim, por força do amor aos meus frágeis filhos, prefiro me abster do vinho
Sim, converso muito com o menininho que adora me imitar em tudo
Sim, gosto de provocar as pessoas em busca de um debate interessante, mas agora, pouco importa
Sim, nem sempre consigo ser legal, nem com as pessoas mais próximas
Sim, às vezes tenho raiva de tudo o que não entendo
Sim, as palavras são limitadas demais pra montar qualquer realidade
Sim, é bom ter um olho amigo de carona nestas minhas palavras imprecisas
Sim, gosto de me isolar, mas tento estar sempre ligado aos poucos que amo
Sim, sabemos que não (ops) sabemos de quase nada
Sim, nem sempre conseguimos o que queremos...

Sim, todo “Não” aparece vez ou outra, assim como a noite aparece ao fim do dia. Resta a nós escolher qual é a parte que melhor se harmoniza conosco. Não se pode negar nenhuma delas, e esse é o caráter trágico da vida. Mas podemos “dormir”, reduzir um pouco o lado das coisas que nos afasta do que somos.

 “A intenção é usar o sim sempre que alguém defender o não. E então, aprender a andar, livre sem esperar. Aceitar cada um de um jeito...” (Duca Leindecker)

“E tudo somado e em suma, quero ser doravante, apenas alguém que diz sim.” (Friedrich Nietzsche)


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dor, Tumor e Pausa

Madrugada fria, cama quente  um resfriado intenso pra me incomodar
O que incomoda é a grande arma contra tudo o que acomoda
Mas dessa vez não foi a gripe o incomodo que me vomitou da cama
Quais são as melhores coisas do mundo?
Não pretendo chegar naquele ponto essencial na filosofia de Camus
Mas já posso ao menos aceitar essa ideia como uma saída válida
O bigodudo alemão me diz que não é a saída mais inteligente
Mas ainda assim, uma saída. De emergência?
Sim, sempre há um tom dramático em minhas palavras
Talvez eu nem seja o poeta que projeto em mim mesmo
Mas ao menos posso me sentir ator...
Minha trágica mente silenciando, é sintoma de uma dor sem fim
Minha trágica mente conceituando idéias de segunda categoria,
Só uma tentativa de remediar a dor...
Chega uma hora que a morfina não faz mais efeito ante a um câncer
Assim também sucedeu com meus conceitos.
Me entregar a dor não foi uma questão filosófica
Foi total falta de opção finda a eficácia dos remédios.
Migalhas pra um estômago faminto...
Assim me pareceram os remédios quando a dor se agravou
Mas quando o fim parecia iminente e a inércia era o único caminho possível
A própria dor, tal qual uma quimioterapia intelectual
Começou a atenuar a si mesma...
Dor e tumor foram deixando de rimar aqui dentro de mim
Ela atacando, ele sumindo e numa harmonia de fim de música sem final
Foram diminuindo a intensidade até silenciar...

Pausa

É aqui que estou no grande disco compacto da vida...
O que vem agora?
Talvez eu possa até escolher uma faixa.
Apertar a tecla de embaralhar...
Mas o fato é que estou preso ao meu próprio disco...
Quantas músicas ainda existem?
Não vou embaralhar!
Quero a próxima canção como uma carta ordenada numa paciência
Sou curinga, olho do alto e entendo sozinho o jogo todo
Quero o caos em meio a ordem que eu ditar
Olhos abertos
Morte
Dor
Remédio
Câncer
Música
Ordem
Caos
Faz sentido?
Pouco importa. Sobrevivi, e estou mais forte
Encarei e zombei da morte
Vês? acima e abaixo rimando...
Só uma trágica mente falando...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Conceitos de Segunda #14 (Final)


“Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez! E falsa seja para nós toda a verdade que não tenha sido acompanhada por uma gargalhada!”  (Friedrich Nietzsche)

Mais uma vez levei o meu filho Luiz Miguel ao Show do Teatro Mágico lá no teatro Marista, no feriado do ultimo dia primeiro. Tivemos (eu a Ligia e o LM) o prazer das companhias do Mateus  e depois da Cinthia. 
Esse ano era diferente. A motivação para ir ao show era, sobretudo, pra acompanhar o pequeno fã incansável da trupe. Acho que nas pancadas da vida surgidas nos últimos meses, deixei meu constante estado de encantamento com o mundo e sua magia, se esvair... Fato é que eu não ansiava pelo show, como nas outras vezes.
Um desencontro de informações e a grosseria do pessoal na bilheteria por conta de multas decorrentes do Kg de alimento (não informado no ingresso) geraram certo mal estar. O Luiz Miguel ficou assustado de ver sua mãe barrada na bilheteria, sendo obrigada a ir pra outra fila pagar uma multa pra poder entrar. Não quero entrar no mérito da crítica aos responsáveis locais pelo evento, mas esse incidente diminuiu mais ainda meu animo para ver o espetáculo.
Logo, entretanto, na primeira música, deixei de lado o baixo astral, e passei a curtir aquela oportunidade rara que se desenrolava ante aos meus olhos. Aquele espetáculo, “desculpa pra celebrar a vida” (não um show, segundo o Fernando), que estava com a trupe incompleta, trazia, no entanto, novidades incríveis no repertório, e nos próprios músicos. O novo baixista (claro que eu iria reparar muito no baixo) me agradou muito mais que o anterior. Mesmo sem a percussão do Willians Marques neste show, a banda me pareceu muito mais entrosada e versátil do que nas ultimas apresentações aqui em Londrina.
Mas o que mais me chamou a atenção no palco, foi a graciosidade de movimentos e expressão mágica da Déinha nas vezes que ela aparecia. Impossível não pensar na divindade dançante do Zaratustra de Nietzsche. O Toicinho deu um show à parte também. Credito ao palhaço e a bailarina o elo de coesão que liga o caos da “Sociedade do Espetáculo” a magia da “Entrada para Raros”. Impossível não lembrar de Hermann Hesse e seu “Teatro mágico só para iniciados, só para loucos”. Num mundo (sobretudo no meu contexto particular) onde tudo parece se diluir instantaneamente diante dos olhos, cheguei a pensar que também “O Teatro Mágico” não tinha mais a velha essência de fazer as pessoas se saberem raras. Cheguei a pensar que até a trupe do mundo mágico de “OZasco” tinha se diluído em meio as padronizações da indústria cultural, que move a nossa pobre e doente sociedade do espetáculo. Me enganei! As gravatas que ornamentam a cintura do bufão, longe de enforcá-lo no pescoço, dançam a cada movimento seu, mantendo vivo o espírito transgressor, experimental, rebelde, que reza a máxima de “não acomodar com o que incomoda”.
Sabendo da ansiedade do Luiz Miguel por tirar (mais) uma foto com o Fernando Anitelli, pensei em fazer um pequeno sensacionalismo pelas redes sociais, a respeito do problema de saúde dele, pra conseguir mais facilmente a foto, que é sempre muito batalhada. Como isso não combina nada comigo, mesmo achando justo, abandonei a ideia. Confiei que o Fernando, mais uma vez, apareceria pra atender os fãs. Nem sei se ele apareceu depois, mas o fato é que infelizmente não podíamos esperar mais, afinal o Luiz Miguel só pode ir ao show porque o médico autorizou, mas havia alguns cuidados e restrições a serem observadas. Estava frio, então, desistimos de esperar pela aparição “Palhaço Mágico”, e fomos embora.
Mas mesmo assim, aquela noite foi mágica, e é claro que trouxemos uma foto. O Luiz Miguel quis vê-la de perto. A estrela dançante do espetáculo, responsável por transmitir uma energia espetacular aos privilegiados ali presentes, com muito carinho atendia e conversava com todos. Ela foi além daquilo que víamos no palco. Ela não sabia, mas depois de usar os braços em números incríveis, numa demonstração de força, técnica e intensidade, usou-os para segurar no seu colo uma criança frágil, porém com criatividade/inteligência muito fortes. O garoto especial que a vida me confiou. O menino de saúde frágil por conta da rara “Anemia de Fanconi”, que espera por um transplante de Medula Óssea pra recuperar parte de sua força, ganhou uma força a mais pra manter suas forças e garantir sua sobrevivência nesse momento difícil.
Obrigado a toda trupe do Teatro Mágico. Apresentação com referencias literárias, poéticas, filosóficas, cheia de elementos de circo teatro e dança, é coisa rara! Em um país que consome hoje, em larga escala, um lixo musical totalmente desprovido de referências é um imenso privilégio tê-los todo ano aqui na Londrina dos universitários sertanejos. Sua musica dá esperanças de que poderemos sair dessa lama que emporcalha nossa cultura e forma uma geração estúpida, fraca e indiferente a tudo o que os rodeia.
Deixo um agradecimento especial a Déinha Lamego, a encantadora garota da foto abaixo com o Luiz Miguel: