sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ana Cecília*

Minha prima quero chamar de Ana
Disse meu filho maluco
Santa Cecília a rua em que nasceu
Cecília protetora dos músicos

Ana Cecília já chegou há 1 ano
No dia de Sagitário
Dia de Santa Cecília já é
Sem os maias e seu calendário

Os Maias erraram, e já valeu
Pois termos Ana Cecília entre nós
Um ano passou, foi tudo de bom
Com mais este motivo pra sorrir...

Dia dos músicos vou comemorar
O baterista vai ficar agitado
Vai se empolgar fazer papel do cantor
Fazer chorar a tia do rosário

Medula Óssea logo vai se encaixar
Sangue novo, rock nos ossos
Luiz Miguel, a Clara e o Caio a brincar
Com a mais nova ali engatinhando

Ana Cecília seu tio já vê
Seu pai tendo o amor que eu senti
Mamãe te segurando junto ao coração
Teu choro de atriz nos faz sorrir

*Esta é a versão 2013 da música que publiquei AQUI há um ano!

CLIQUE AQUI pra ouvir a nova versão!



(Foto da pequena atriz retirada do facebook da mãe dela, Grayse Kelly Boratto) 

domingo, 17 de novembro de 2013

Sentindo a Falta

Domingo de manhã eu acordei sentindo a falta
E sentindo falta dela perto de mim
Comi meu chocolate meio amargo e meio doce
Meio claro, meio negro, agridoce como eu

Eu dou um toque
E ela me retorna, então não me note
Que eu vou com ela até o fim
Eu vou com ela, eu vou com ela,
Eu VOOOOOUUUU...

Eu não a perdi, pois quem ama nunca toma posse.
Coloco ela de lado, mas corro empolgado esperando que ela me volte.
Trato com carinho, recebo sorrindo e contra todos vou com ela até parar.
E atiro ela na rede, me atiro em cima dela, e tomando-a nos meus braços lhe entrego meu mais puro e desejado beijo de amor...

Mas hoje, justo hoje eu senti aquele falta...
Ela dividida entre eu e um amigo, e por um segundo a ganhei
mais fui ferido e desde então, nunca mais a encontrei
Mas eu espero... Ela eu espero o tempo que precisar...
Pois eu sei que a dor desta falta logo vai passar...

*Demo da música no SoundCloud: CLIQUE AQUI

Ela e minha perna ferida por sua causa...

sábado, 16 de novembro de 2013

Saudade é Presente

Sábado chuvoso, dor fina e constante
E eu sinto uma ausência, alívio da dor
Na mente um poema a tristeza desmente
Canção de saudade é presente de amor

"Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Jardim do Éden

Enquanto a maioria mira o céu,
inebriada,
em busca de respostas,
em busca de uma fuga,
nós, trágicos,
amamos a vida!
Amamos a terra...
Os fracos seguirão maldizendo a terra,
seguirão inventando os mais absurdos pecados
e assim, continuarão pecando contra a vida.
Adoradores da morte!
Desprezam a terra
[nosso paraíso aqui e agora].
E assim, 
segue todo o moribundo rebanho 
esperando por seu paraíso no além...

"É a Pedra de cada dia que está no chão de qualquer lugar,
Aonde o mendigo pisa e o santo cospe, quando passa, nessa pedra.
A Pedra do Gênesis, está bem aqui e agora, você pode tocar!"
(A Pedra do Gênesis - Raul Seixas)


"Eu vos imploro, irmãos, permanecei fiéis à terra e não acrediteis nos que vos falam de esperanças supraterrenas! São envenenadores, saibam eles ou não."
(Assim falou Zaratustra - Friedrich Nietzsche)


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Não Precisamos de Educação!

Será que a educação, da maneira generalizante e universalizante, proposta ainda no século XVIII pelos iluministas, é mesmo o "caminho de salvação" da sociedade?
Friedrich Nietzsche, em "Crepúsculo dos Ídolos", criticou o sistema educacional alemão do século XIX. Me parece que tais críticas, cabem, também hoje, ao sistema educacional do Brasil do século XXI:

[...]. A ninguém mais é dado, na Alemanha de hoje, proporcionar aos filhos uma educação nobre: nossas escolas “superiores” são todas direcionadas para a mais ambígua mediocridade, com seus professores, planos de ensino, metas de ensino. E em toda parte vigora uma pressa indecente, como se algo fosse perdido se o jovem de 23 anos ainda não estivesse “pronto”, ainda não tivesse resposta para a “pergunta-mor”: qual profissão? — Um tipo superior de homem, permitam-me dizer não gosta de “profissão”, justamente porque sabe que tem “vocação"... Ele tem tempo, toma tempo, não pensa em ficar “pronto” — aos trinta anos alguém é, no sentido da cultura elevada, um iniciante, uma criança. — São um escândalo os nossos ginásios abarrotados, nossos sobrecarregados, estupidificados professores ginasiais [...] (NIETZSCHE em Crepúsculo dos Ídolos, Cia das Letras)

Vejo nas escolas ainda muita disciplina, muito enquadramento, muita padronização e pouco incentivo à criatividade, à individualidade... Deste modelo de educação autoritário, que dilui pessoas em números mensuráveis, em organismos indissociáveis de coletividades institucionais, não precisamos...

"We don't need no education
We dont need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone..."

Feliz dia do Professor!


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Louco Olhar ao Tempo

Do alto do prédio, o frio,
preciso e exato relógio pouco sabe do tempo
Sempre a contar as horas,
não sente a o calor do sol, o frio e o vento...

Não sabe de Vera e sua Obra Prima
Em toda estação desconhece o clima

Tal qual o louco que vê num oásis o mar,
seu filho, aqui, inventa seu próprio olhar
E assim, num dia de primavera,
fez-se o mundo criar, nas ondas do oásis/mar

O sentido horário, direito, tem por limite o céu
Eu anti-horário, canhoto, aqui flutuando ao léu

O que sabem estes ponteiros do brilho de meu olhar?
Entre novas flores nas árvores o relógio vem pra lembrar
Que vou cumprir meus horários, mas nada vai afastar
Meu tempo da natureza, do sol, da dor, do luar...

Ó coração positivo, não quer cientifizar
Ó sangue meu negativo, que vidas pode salvar?
Quem sabe não salva meu filho, que tem mesmo louco olhar!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Contagem Regressiva (Juliano Casonatto)

A contagem regressiva já começou 
há muito tempo
Pra onde você vai? O que está fazendo?
Cuidado meu amigo com o que está acontecendo!
Sua vida está passando, você nem percebendo
Esta é sua hora, agora é o momento!

Quem é você? Quem é você?
Mais um perdido que o acaso guiou...

O barco está à deriva, que vento é esse?
Quem embarcou com você? Que povo é esse?
Você tem a liberdade pra escolher,
Leve esse barco pra onde quiser
Cada um tem em si um destino certo
Cada um tem em si um acaso a decidir

Quem é você? Quem é você?
Mais um perdido que o acaso guiou...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Primavera Invencível

Sempre lembro que minha estação preferida é àquela de que sou filho, a primavera. Nunca gostei muito do inverno, até olhar pra ele como ela... Uma estação grávida que, em um derradeiro momento, dará luz aos floridos e quentes dias de primavera que ocorrem por aqui, na linha do trópico de capricórnio. Na última estação, descobri que a estação mais difícil pra mim não era o inverno, mas o outono. 
E hoje, neste lindo dia de inverno, posso adaptar Camus e dizer que, no meio de um outono eu finalmente aprendi que havia dentro de mim uma primavera invencível...
Para que as estações pudessem constituir ciclos que as colocam sempre nos mesmos meses, os romanos antigos precisaram acrescentar dois meses ao seu calendário que tinha apenas dez. O último mês, como sugere o nome, era Dezembro! Curioso que o que era mês dez, hoje é doze, mas continua com "dez" no nome... O mesmo vale pra Novembro, Outubro e Setembro!
Não fosse a vaidade de Augusto, estaríamos agora em Seisembro! Antes de ontem teria sido seis de seisembro! Uma redundância tão boa quanto Dez de Dezembro ou Sete de Setembro. A primeira data dá nome à avenida que passa aqui perto de mim, em referência à fundação da minha cidade. Nesta avenida caí meus “Zombeteiros Tombos”! A segunda se refere ao dia em que supostamente o Brasil se tornou independente.
O dia de hoje, que numericamente fica 8 do 8, me parece muito mais interessante que 12 do 12 ou 10 do 10... Gosto do infinito em pé repetido... Mas gosto ainda mais de pensar hoje como “oito de seisembro”! 
Maldito seja Otávio Augusto por ter rebatizado o mês do seis e, além disso, ter roubado pro seu Agosto um dia de Fevereiro! Antes ainda, maldito Julio Cesar, que primeiro rebatizou um mês, o anterior, e, com isso provocou a inveja do tal "Oitavo Agosto"!
Mas mesmo que os meses e todas as coisas troquem de nome, tem coisas que ficam, e sempre ficam, deixando boas lembranças de outras estações... 
Mesmo com tantas belas primaveras, o final de uma delas me assombra... Maldito dezembro em que completei 29 voltas ao redor do sol! O meu mês preferido, de repente, se tornou o pior mês de minha vida... Palavras cortantes, doença, aproximação da morte em um leito de hospital... Como eu queria esquecer aquele mês de dezembro! Dia destes sonhei com as imagens de mote que vem me assombrando desde então...

“Se queres elevar-te, exercita a arte de esquecer.”

Mas que exercício difícil este proposto por Nietzsche! O próprio filósofo sabia desta dificuldade:

“Talvez o homem não possa esquecer nada. A operação de ver e de conhecer é complicada demais para que seja possível apagá-la de novo inteiramente; ou seja, para todas as formas que foram produzidas uma vez pelo cérebro e pelo sistema nervoso repetir-se-ão, a partir daí, muitas vezes. A mesma atividade nervosa reproduz a mesma imagem.”

E assim, sem conseguir me livrar dos fantasmas da memória, aquela primavera sempre me volta... Com tudo que ela trouxe de bom e de ruim...
Eterno retorno... Um movimento de loop incessante... 
Se pudesse trocar os meses numerais que têm a primavera, tiraria o dez daquele ano e colocaria o seis em seu lugar...

Mas nem a invenção do Seisembro,
pode apagar aquele Dezembro...
Me esforço, porem lembro...
Eu me lembro Dezembro...

terça-feira, 30 de julho de 2013

Sete e Trinta

Sete meses de vida, trinta anos atrás
Sete meses todo ano, tem um dia a mais
Sete dias pra semana acontece ano inteiro
Dia trinta não existe só no mês de fevereiro

Sete e trinta e o alarme logo me despertou
Sete vidas tem o gato, trinta gatas não amou
Daqui a trinta minutos, mais um dia pro mês sete
Trinta infernos separando do sétimo plano celeste

Sete notas musicais, mais as letras do alfabeto
Trinta sons que não traduzem todo amor e afeto
Sete anos pro menino, trinta pro pai inquieto

Dentro de trinta minutos será trinta e um outra vez
Em sete dias será mês oito, e o gosto de agosto se fez
Há trinta anos, mês sete, acho que julho de oitenta e três