terça-feira, 8 de agosto de 2017

Luar de oito

Oito do oito
E eu afoito
De pé o infinito
Entalado grito
Viva a lembrança
E a alma dança
Na lua cheia
Olhar vagueia
E o oito ainda é
O infinito em pé.

sábado, 22 de julho de 2017

A pé, longe da "Cidade Digital"

        Parou e ateve-se ao cansaço que sentia. E não é que já não estivesse parada. Estava, embora movesse os dedos deslizando para cima o “feed de notícias”. Sempre mais do mesmo: esportivos, zoeiros, animaizinhos fofinhos, religiosos e seus contrários (uma minoria de ateus chatos e um tanto maior de cristãos chatos), famílias felizes, indivíduos revoltados, meteorologistas (aqueles que quase morrem de frio ou de calor, dependendo da estação do ano), musicas ruins, um pouco de musica boa, filósofos da moda em vídeo, dicas de coisas práticas e fáceis de fazer, militantes de política...
        Os piores para ela eram os últimos! Sempre haveria um espertão para dizer que “em tudo fazemos política”. Sendo assim, ela preferia fazer sua própria política da poesia e da boa música! Sem que fosse trancada em qualquer sistema de ideologia. A única concessão que fazia à palavra “ideologia” era à voz de Cazuza.
        E foi justamente a sua paixão pelo Rock Nacional que a tinha deixado do jeito que a encontramos ali no primeiro parágrafo: cansada. Quando parou de olhar aquele “museu de grandes novidades” nas notícias da rede social, lembrou do “Dia Mundial do Rock”. Para ela todo dia era de rock. Mas com a hashtag bombando, achou que, ainda mais que os outros, tinha direito de publicar uma música também.
Ouvia Legião Urbana, terminando o disco “Dois”. Procurou no YouTube um vídeo com a música “índios” e publicou na rede social. Não demorou para aparecer alguém comentando: “graças ao mimimi esquerdista mortadela de gente como esse Renato Russo , blá-blá-blá de índio, de gays, difamação dos militares e outras baboseiras que o país virou essa merda!”. Teve vontade de estar diante da pessoa para dizer bem alto um palavrão! Depois se acalmou e pensou que se estivesse diante da pessoa, perguntaria: "você prestou atenção no solo de violão desta versão acústica da música?" No fim não quis estar diante daquela pessoa. Quem faz um comentário desses não teria ouvidos para qualquer argumento contrário. Como não queria discussão, e como existem tantas outras canções de Rock no mundo, simplesmente apagou aquela e escolheu outra.
Enquanto pensava em algo mais tranquilo que Legião Urbana para postar, digitou quase que naturalmente “Nando Reis”. Apareceu uma música recente, que ainda não conhecia: “Só Posso Dizer”. Achou a música linda. Quem poderia reclamar daquela canção de amor? Postou. Três pessoas logo curtiram! Ufa... Sem brigas agora. Foi então apareceu um comentário: “Saudades daquele Nando dos Titãs, engajado, tocando baixo, fazendo rock de verdade... Na situação que vive o país o cara fica ainda fazendo essas musiquinhas de amor. Em que planeta ele vive?”. Nem quis perder tempo pensando no comentário. Apagou a postagem.
Começou a ficar enjoada! Só queria celebrar o dia do rock com um rock. Mas sem discutir com ninguém. Lembrou do Oficina G3, Rock pesado e com letras sobre Deus. Quem poderia ir ali falar mal de Deus? Escolheu uma música das antigas e postou. Veio então o primeiro comentário: “Oficina G3 é uma benção. Se aproxima perigosamente de coisas do demônio para resgatar os mais perdidos no mundo. São verdadeiros anjos, principalmente para esses roqueiros drogados que andam por aí.”. Ficou ofendida com a associação do Rock com “coisas do demônio”, mas, pelo menos, dessa vez não havia crítica à musica e à banda. Foi aí que alguém respondeu ao primeiro comentário: “vocês fanáticos são responsáveis pela morte de milhares de pessoas que sofrem com sua pregação de ódio. Se dizem membros da religião do amor, mas vivem atacando todos os que não seguem suas regras idiotias”. O que? Guerra Santa seria demais para ela. Apagou.
Sentia-se inútil. Seria possível apenas fazer uma homenagem ao seu ritmo musical preferido sem que alguém se inflamasse em fúria? Seu sentimento de inutilidade levou inevitavelmente a procurar a música “inútil” do Ultraje a Rigor. Escreveu na descrição antes de postar: “Espero que não me apareça nenhum inútil reclamando dessa música. #DiaMundialDoRock”.  Nessa veio o comentário mais rápido: “Inútil define bem esse reacionário coxinha, sempre militando contra os pobres. O discursinho babaca dele ajudou a colocar os corruptos que aí estão no poder.”. Chega! O que a opinião do cara tinha a ver com essa música? Talvez o problema seja o Rock Nacional. Pessoas muito inflamadas com a política local.
Decidiu então fazer uma última tentativa. Agora apelaria para The Beatles. Procurou “Don't Let Me Down”, tocada em cima de um prédio. Escreveu apenas a hashtag e postou. Muitas pessoas curtiram. Alguns comentaram coisas do tipo “Um clássico – viva o rock”. Parecia ter acertado a mão desta vez. Foi preparar um chá enquanto ouvia o disco Gita, do Raul Seixas. Riu ao ouvir "As aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor" e lembrar de suas aventuras na "cidade digital".
Depois de um tempo ouviu o som de um novo comentário: "Não foi por acaso que esse Lennon Morreu. Deus o castigou por ter dito que essa bandinha era maior que Jesus. Teve o fim que mereceu, ele e essa bandinha”. Raul cantava ao fundo "Viva a Sociedade Alternativa". Escolheu então ignorar. Viveu aquele dia do Rock ouvindo rock. 
Agora, dias depois, passando por mais do mesmo na "cidade digital" lembrou daquele fatídico Dia Mundial do Rock. Como já sabemos, sentiu-se cansada. Cansada que estava, levantou-se e decidiu descer as escadas e se atirar na rua. E caminhando a pé encontrou um vizinho que disse "que governo safado, já aumentaram o preço da gasolina!". Fez uma careta para contenta-lo, acenou despedindo-se e seguiu... A pé, sem se importar com a gasolina. Sorrindo, sem se importar com o frio que fazia...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Poema des...

Sou apenas um maldito escritor agora.
Sonhei com um maldito pneu furado,
Lembrei do maldito furo ser pequeno
Deixara o maldito remendo para depois.
Maldita mania minha de incompletude...
Tenho um maldito romance por escrever,
Malditas ideias de contos não começados,
Livros não lidos cobertos de maldita poeira!
Entre malditos poemas por vestir com melodia,
Reservo lugar para um maldito poema despido!
Militante das reticências que resolvem tudo...
Benditos três pontinhos que abrigam o mundo!
Até os poetas malditos que...

sábado, 4 de fevereiro de 2017

GRAVE

GRAVE ESTE INSTANTE
QUE NUNCA MAIS VAI VOLTAR
TÃO GRAVE E TÃO IRRELEVANTE
QUE ESSA VIDA UM DIA VAI ACABAR

O QUE PASSOU NÃO VOLTARÁ
FUTURO É SÓ PROJEÇÃO
A VIDA INTEIRA NESTE INSTANTE
NESTE PULSAR DO CORAÇÃO...

A GRAVIDADE A NOS PUXAR
O MOVIMENTO NEGA O CHÃO
E NESTE INSTANTE QUASE VOO

SENTINDO OS GRAVES DA CANÇÃO

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Céu da Véspera do Inferno

E era assim,
um dia típico de baixa primavera
na latitude 23 do Sul do Mundo.
Manhã fresca, tarde abafada e
chuva passageira antes do ocaso.
Ele era meio místico
Não obstante seu forçado sarcasmo.
Ria e cria piamente (ainda que de passagem)
nos efeitos do “inferno astral” em si.
Vinha vivendo o seu ao lado dela.
Mas uma constatação o abalou!
Sua "companhia medicinal" repentinamente
(como a chuva) viraria veneno...
Ela entraria amanhã no “inferno astral”.
Como poderia suportar dois infernos?
Assim, aquela presença que outrora curava
precisaria ser repelida, banida...
E não é que não a amasse. Pelo contrário!
Mas como querer ser maior que os astros?
Como desafiar o que era ordenado pelos céus?
Assim ele a deixou.
Ela não entendia e não aceitava.
Procurou entender, mas ele anunciou,
solenemente, e com rispidez
que ele não era mais ele...
Era hora de partir e deixar partir...
E entre tantos partidos e partidas
se partiu seu coração...
cabisbaixa pela rua, iniciado o inferno
sentiu-se culpada e chorou...
A dor afogava o peito trepidante,
enquanto as lágrimas limpavam os olhos.
Quando estava há um passo do abismo,
sentiu a chuva alcançar e abraçar
cada centímetro da sua pele...
Mal se molhara e já sentia a chuva partindo
Por que se foi tão depressa?
Mas não tinha volta - a chuva ausente ficou em si!
O frescor e a roupa molhada eram revigorantes.
Abriu os olhos e nem quis olhar para o abismo.
Resolveu erguer a cabeça e olhar pro céu.
Ficou na dúvida se o céu sempre fora lindo assim
ou se era efeito de sua dor... dor?
Sentia agora um prazer inexorável!
Sentia alegria pela chuva que passou.
Sentia alegria pelo amor que partiu.
Sorria de lembrar tudo de bom que viveu.
Trocar a postura cabisbaixa pelo céu.
Sentir gratidão pelo vento que passa.
Mas que fica ali, no corpo transmutado.
Tudo é transmutação, tudo passa...
O que não passa é esta reverência pela vida.
Agradecida sorriu como nunca tinha sorrido.
Lembrou-se que estava no inferno, mas que,
mesmo dali, podia-se voar até o céu com os olhos.
Podia-se enviar seu cheiro a viajar com o vento...
Podia-se amar aquele instante de vida inédito,
único, irrepetível, raro, sublime...
E se havia qualquer possibilidade de um dia se culpar
apenas por ter vivido a vida em sua plenitude,
o céu desenhou pra si um arco-íris respondendo:
Basta erguer a cabeça para tocar o céu e afirmar a vida!

Na pólis do amor não há espaço para culpa!
E s houver dor, que seja pra trazer a alegria!
Amém!

“...o meu inferno é o céu
pra quem não sente culpa
de nada...”
(Herbert Vianna)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Pedalada Engarrafada.

Gostaria de poder colocar cada centímetro pedalado ao seu lado em uma garrafa de vinho.
Esquecer que as vezes corro pra longe de ti por não suportar odores que pra ti são aromas essenciais.
Lembrar, no entanto, de todos os motivos que tinha pra fugir da nuvem de cigarro no lugar que eu estudava e respirar o ar puro do teu local de estudos.
Ah... Que estou eu a dizer? Esquecer... Lembrar...
Somando tudo e colocando na balança dos momentos que valem a pena ser vividos, sobram motivos pra agradecer.
Então coloco na garrafa de vinho o meu pneu de pista e o seu pneu de trilha.
Meu baixo viola e sua guitarra strato...
Nossos bons momentos em jogos de futebol e shows que curtimos juntos, e também aqueles que curtimos longe.
Coloco na garrafa o encantamento com certas ideias filosóficas, os impasses, os debates e a satisfação de chegar a bons argumentos temperados com o nosso salgado (e sagrado) suor.
Coloco na garrafa amoras e pitangas, um rio, um pedágio, uma usina histórica que já não existe, um outdoor, uma passarela e uma autoestrada federal onde pudemos deitar por alguns minutos...
Coloco as histórias que ouvi, e as histórias que contei...
Algumas histórias servem pra entreter, suportar os trajetos, as subidas.
Outras histórias são graves, fruto de muita imaginação em torno de um enredo que soa como ideia fixa.
Como foi bom verbalizar a ideia fixa!
Ver aquela frágil semente despontar pela primeira vez em palavras faladas.
Passo inicial pra uma história escrita, ou não...
Não sei que odores eu tenho exalado em minha sede de ar puro.
Mas sei reconhecer quando os teus sentidos silenciam em busca de ares diferentes dos meus.
Não sei se haverá ocasião em que andaremos novamente em busca dos mesmos odores, pistas, estradas ou melodias...
Amanhã? Depois? Talvez a frase do poeta (que não é nenhum de nós) peça um "tanto faz" ou "nunca mais"...
Mas "tanto faz" não seria opção pra mim...
Prefiro a imagem da garrafa de vinho. 
Possibilidade de sorver cada momento novamente.
Mesmo que a vida condene a um eterno suor solitário.
Poder agradecer pelo que passou e pelo muito que ficou disso tudo.
Me abstenho no entanto de projetar... 
Criar expectativa para além de mim seria uma forma de tirania.
Então não espero. 
Mas celebro como quem viveu momentos que nenhum sábio, rico, milionário, ou santo viveu. 
Momentos únicos e irrepetíveis. 
Momentos que eu gostaria que tivessem durado um pouco mais...
Momentos que ajudam a afirmar uma vida que vale a pena ser vivida...
Ao último ser humano que me suportou por mais de duas horas, 
Deixo um grande abraço e pedaladas engarrafadas neste dia especial!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Zombeteiros Tombos III (ReTombando)

Ciclicamente caí outra vez
Orgulhosamente, desta vez
Mantive-me longe da chave
Olhei e vi livre a frase bike.

É um zombeteiro negar do chão!

Dedico o tombo aos outros dois (I e II)
Ouço voz me jurando um depois
Com requintes de crueldade
Espreita o espírito de gravidade...

Amanhece outro dia verbal

De um livro em escala mental
O calor no meu peito é brutal
ReTombando: corrida e pedal!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Vida, Promessa e Loucura.

Tudo isso por causa de um time de futebol?
Perdeu o juízo?
Sabia que você pode morrer no caminho?
Isso é loucura!!!
Mas deixe eu te contar um segredo, os loucos são as melhores pessoas!
Escrever aqui não é uma forma de me justificar, pois tudo está muito claro pra mim. Mas tentar traduzir todos os sentimentos que me trouxeram ate aqui, pode ser uma maneira de incentivar a mim mesmo na guerra particular que vivo em cada batalha de 24 horas e uns quebradinhos a bordo deste planetinha errante e ilhado em meio a um imenso e absurdo espaço vazio...
Pra entender o porquê de eu estar partindo pra Bauru de bicicleta às 3:33 da madrugada vindoura, seria preciso contar toda uma história de mais de 10 mil anos, mas voltemos apenas quatro, ao ano de 2011.
Era meu aniversário, o que, no meu calendário particular, chamo de “dia do Curinga”. Já estavam armadas as comemorações. Havia sido um ano mágico. Eu tinha cumprido todos os créditos do mestrado em história social e só me restaria escrever uma dissertação inovadora – um texto que citava músicas em mp3, sem as letras. A primeira dissertação da UEL que seria entregue em formato digital. Além do mestrado, a inspiração extravasava. Criei este blog pra canalizar os pensamentos e sentimentos em poesia e prosa...
Mas nem tudo foram flores naquele ano tão primaveril. O meu filho Luiz Miguel, com seis anos incompletos, estava com uma gripe forte e incessante havia uma semana. Fomos ao hospital pela manhã e, o final do dia, que seria em um churrasco, acabou na UTI do hospital evangélico. Depois de viver dias dramáticos e cheios de suspeitas (primeiro de gripe, depois de dengue hemorrágica, e por ultimo leucemia), ele foi diagnosticado com uma doença genética rara – Anemia de Fanconi. A Medula Óssea estava em processo de falência e seria necessário encontrar um doador compatível para que ele fizesse um transplante em Curitiba.
Em meio ao caos e a angustia, minha vida quase paralisou em 2012. Só consegui escrever minha dissertação de mestrado graças a compreensão e apoio do meu orientador e amigo Gabriel Giannattasio. Mas um projeto foi colocado em prática. O Luiz Miguel foi comigo em quase todos os jogos do Londrina na divisão de acesso do Paranaense no ano anterior. Com alguns amigos de uma velha banda, tínhamos a intensão de gravar o Hino do LEC em versão de Rock, comemorando o acesso. Já que não tínhamos um doador compatível pro Luiz Miguel e ele era totalmente compatível com a paixão pelo Londrina e o Rock and Roll, criamos a banda Medula Óssea (esta 100% compatível com ele).
Mas aquele ano foi duro. Íamos a Curitiba a cada dois meses. A imunidade dele estava tão baixa que foi proibido de frequentar a escola e qualquer lugar fechado. Ficaria quase que um prisioneiro em casa. Era preciso encontrar uma motivação. O Estádio do Café, enorme e (felizmente neste caso específico) com pouco público, era um local que ele podia frequentar. Bastava ocupar um local onde não houvesse pessoas ao redor. Pra diminuir a tensão em ter que ir tomar agulhadas em Curitiba, mostrei pra ele que o Estádio do nosso rival Coritiba era vizinho do hospital, e o nosso time, vez ou outra, também tinha que encarar difíceis jogos ali, “fora de casa”.
Assim as coisas foram se encaixando... O time era metáfora para a vida. Não fomos tão bem em 2012, mas estávamos de volta! E qual não foi a alegria do Luiz Miguel (e minha) quando ouviu a Medula Óssea dele tocando no som do estádio? Mas aquele ano conturbado me fez perder as estribeiras no difícil dia do meu aniversário. Saí pedalando igual a um louco embaixo de uma tempestade, sem preparo e ferramentas em direção à casa de meu pai, em Bauru. Desisti em Sertanopolis, quando o corpo percebeu que seria impossível percorrer os 300 km...
Em 2013 as coisas seriam bem melhores! O Luiz Miguel teve uma melhora nos exames e, mesmo sem doador ainda, poderia voltar a conviver com os amiguinhos na escola. O nosso time fazia grandes jogos no estadual e, as vésperas do jogo que definiria o “campeão do primeiro turno”, diante do Coritiba aqui, “em casa”, meu irmão (baterista da Medula Óssea) encontrou o Técnico Claudio Tencati e pediu pro Luiz Miguel entrar em campo com seu jogador preferido, o goleiro Danilo. O Bruno Maffi, que trabalha na TV Tarobá, presenciou o pedido e a receptividade e boa vontade do nosso querido treinador. Assim conseguiram armar uma surpresa pro Luiz Miguel, o goleiro Danilo apareceria em um ensaio da banda Medula Óssea, daria uma camisa pra ele e ele entraria em campo com seu ídolo. Que dia feliz!



Mas o Londrina perdeu. A arbitragem jogou contra a gente. Mas a grande lição veio da torcida – 30 mil pessoas gritando “É Tubarão”, mesmo depois da derrota. A vida é assim, Luiz Miguel – não podemos desanimar com as derrotas. Aquele ano guardaria uma outra derrota amarga, em Caxias do Sul, pela série D do brasileirão.
No final do ano gravamos uma outra versão de hino do Londrina, desta vez um Blues pra “Bandeira do Meu Coração”. O Luiz Miguel foi o mascote-torcedor no clipe que gravamos no litoral norte de São Paulo:


O nosso time continuava sendo motivo de inspiração pro pequeno garoto. Mas vencer um campeonato estadual, depois de 22 anos, contra times da capital que tem muito mais dinheiro e estrutura era uma missão quase impossível. Mas o nosso hino já diz que o clube, pra nós, é maior que títulos “o que importa é o ideal de vitória, pois para nós tu serás sempre campeão”. Mas esta coisa do ideal era complicado quando se pensava na doença dele. Um “ideal de cura” não o devolverá a possibilidade de poder jogar bola e fazer educação física normalmente na escola. E por isso torci... O Londrina ser campeão, seria a motivação que estamparia a máxima da música do Charlie Brow Jr. Que diz que “o impossível é só questão de opinião. E disso os loucos sabem, só os loucos sabem...”! Na verdade, antes mesmo do título, no jogo dos 4 a 1 contra o Atlético-PR, o impossível já se oferecia para nós...
Um pouco de loucura, muito de determinação e um grito que explodia em Maringá. Ele viu da TV, pois era um espaço muito perigoso pra ele. Mas nos fomos, empurramos e levamos a bandeira da “Medula Óssea”.


Este ano começou difícil. Em Curitiba os médicos, que testavam (até hoje) uma medicação alternativa para poder adiar o transplante, diziam que não haveria um doador pra ele. O transplante deveria ser feito com uma medula metade compatível com a dele, a minha...
Caraca! Agora era eu o portador do liquido que poderá salvar sua vida. Ainda que seja um tratamento bem mais difícil do que seria com um doador 100% compatível, era um caminho, uma hipótese para a cura. Decidi que iria me cuidar. Passei a pedalar todos os dias. Os aplicativos de bicicleta pra celular me faziam sempre desafiar a mim mesmo. Foi em um tour de bike até o pedágio de Jataizinho com os amigos Juliano Casonatto e Márcio Silveira que, ainda em abril, fiz a promessa: “Se o Londrina subir pra série B do brasileirão, eu vou pra Bauru de bike”.
Os loucos sabem... Os loucos me entenderão... Quando Luizão (um Luiz – quem diria?), camisa 3, fez o gol do acesso, a minha viagem estava marcada. As pessoas ao meu redor, sobretudo o Luiz Miguel, ao fim daquele memorável jogo contra o Confiança-SE gritavam “Vai pra Bauru... Vai pra Bauru...”.
Amem!
 (foto/reprodução - RPC TV)

Decidi que partiria logo depois de completar 33 anos (foi ontem). Em um ano que superamos a terceira divisão nacional, um ano em que voltei aos blogs e à poesia em um “clã de 3 pessoas”, um ano de 3 mil motivos pra lembrar que a vida é curta e que, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”... São tantos “3”, que decidi partir às 3:33 desta madrugada...
Não vou pensando nos riscos. Vou porque estou vivo! Vou porque quero superar a mim mesmo! Vou pra agradecer pelo time de futebol da nossa cidade, do nosso bairro, que vive nos dando motivos pra nunca desistir, vive nos mostrando que, pra nós, os loucos, não existe o impossível!
Obrigado Londrina Esporte Clube!
Obrigado Luiz Miguel e Clara (a irmã que canta todas as musicas da Falange Azul), vocês são a maior lição de vida e alegria que eu poderia ter!



Obrigado a todos vocês que chegaram ao fim deste longo texto e agora torcem por nós também!
Quanto a promessa, não garanto que eu a conclua (como sempre diz o Tencati, não dá pra prometer vitória, mas sim vontade) neste fim de semana. Mas será a primeira tentativa! Até o início da série B 2016, certamente conseguirei! Mas estou confiante... O universo (e até a grama do VGD) parece conspirar a favor...
Vamos pra Cima Tubarão!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Primavera Interior

Quando o inverno apresentava todos os sinais de seu derradeiro fim,
Preparei-me para a conversão que traria alívio imediato de minha dor
Alegrei-me timidamente, mas já preparando a euforia que viria com os ventos da mudança.
Chegou a primavera?
Olhei pra direita e pra esquerda. Nada.
Olhei de minha cama as sombras de folhas que me acompanharam nas noites de insônia no inverno.
Nada.
As mesmas folhas, os mesmos movimentos, a mesma dor.
Pensei então que a primavera começaria de fato com o raiar do dia.
Esperei o sol.
O dia veio, lindo, em cores alegres, como toda primavera.
Mas havia espessa nuvem diante de meus olhos.
Uma nuvem rosada e leve, mas que escondia toda a beleza da estação que me traria de volta a alegria.
Raios!
Tudo parecia desesperadamente igual!
Alberto Caeiro, com sua sinceridade cortante me consolava com a ideia de que a primavera não podia ser uma pessoa e nem era uma coisa.
Viriam novas flores coloridas e novas folhas verdes.
Nada igual.
Mas pra mim, tudo parecia igual. Não igual à imagem da primavera passada, mas igual ao dia anterior, onde o inverno ainda dava seus últimos suspiros.
Suspirei.
Será que o inverno seguiria me assombrando pelos dias de primavera?
A primavera viria no verão ou viriam quentes dias de inverno em janeiro?
O Inverno sobreviveria pra sempre em mim?
Mas estes questionamentos só me vieram por conta da expectativa que criei. Esperava alívio imediato, mas talvez fosse preciso esperar.
Depois de um giro de 180 graus, a nuvem rosada se dissipou.
Um fio de esperança surgiu diante dos meus olhos.
A nuvem rosada agora se resumia a tonalidades de rosa, misturada com tonalidades de azul.
Toda a natureza me apareceu ali, recheada de beleza e vida.
Love, love, love...
Como na canção dos Beatles, as nuvens pareciam lembrar que tudo o que preciso é de amor.
180 graus que a terra deu em torno de si e a primavera, com meio dia de atraso, começou!

Agora meu coração já sente o frescor acalorado de um clima primaveril.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ruínas e Barra-do-dia.

O sol está perdendo a guerra contra a escuridão! 
Os dias são cada vez mais curtos!
Há quem tenha perdido as esperanças.
Há os que falam do fim dos tempos...
Mas qual é o fim?
Qual é a finalidade?
Não espero responder!
Mas guardo a impressão de que cada um dará seu próprio fim aos tempos, afinal, como disse um poeta, viver não é preciso!
O fim dos tempos não deve ser preciso...
Somos construtores de ruínas, mas mesmo assim o sol segue aparecendo de manhã.
Tem ficado menos tempo no céu, é verdade...
Mas já há profetas que falem de um evento grandioso - um tal de solstício! Dizem que este dia está próximo e que, a partir daí, os dias ficarão cada vez mais longos e o sol vencerá a escuridão...