quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Louco Olhar ao Tempo

Do alto do prédio, o frio,
preciso e exato relógio pouco sabe do tempo
Sempre a contar as horas,
não sente a o calor do sol, o frio e o vento...

Não sabe de Vera e sua Obra Prima
Em toda estação desconhece o clima

Tal qual o louco que vê num oásis o mar,
seu filho, aqui, inventa seu próprio olhar
E assim, num dia de primavera,
fez-se o mundo criar, nas ondas do oásis/mar

O sentido horário, direito, tem por limite o céu
Eu anti-horário, canhoto, aqui flutuando ao léu

O que sabem estes ponteiros do brilho de meu olhar?
Entre novas flores nas árvores o relógio vem pra lembrar
Que vou cumprir meus horários, mas nada vai afastar
Meu tempo da natureza, do sol, da dor, do luar...

Ó coração positivo, não quer cientifizar
Ó sangue meu negativo, que vidas pode salvar?
Quem sabe não salva meu filho, que tem mesmo louco olhar!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Contagem Regressiva (Juliano Casonatto)

A contagem regressiva já começou 
há muito tempo
Pra onde você vai? O que está fazendo?
Cuidado meu amigo com o que está acontecendo!
Sua vida está passando, você nem percebendo
Esta é sua hora, agora é o momento!

Quem é você? Quem é você?
Mais um perdido que o acaso guiou...

O barco está à deriva, que vento é esse?
Quem embarcou com você? Que povo é esse?
Você tem a liberdade pra escolher,
Leve esse barco pra onde quiser
Cada um tem em si um destino certo
Cada um tem em si um acaso a decidir

Quem é você? Quem é você?
Mais um perdido que o acaso guiou...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Primavera Invencível

Sempre lembro que minha estação preferida é àquela de que sou filho, a primavera. Nunca gostei muito do inverno, até olhar pra ele como ela... Uma estação grávida que, em um derradeiro momento, dará luz aos floridos e quentes dias de primavera que ocorrem por aqui, na linha do trópico de capricórnio. Na última estação, descobri que a estação mais difícil pra mim não era o inverno, mas o outono. 
E hoje, neste lindo dia de inverno, posso adaptar Camus e dizer que, no meio de um outono eu finalmente aprendi que havia dentro de mim uma primavera invencível...
Para que as estações pudessem constituir ciclos que as colocam sempre nos mesmos meses, os romanos antigos precisaram acrescentar dois meses ao seu calendário que tinha apenas dez. O último mês, como sugere o nome, era Dezembro! Curioso que o que era mês dez, hoje é doze, mas continua com "dez" no nome... O mesmo vale pra Novembro, Outubro e Setembro!
Não fosse a vaidade de Augusto, estaríamos agora em Seisembro! Antes de ontem teria sido seis de seisembro! Uma redundância tão boa quanto Dez de Dezembro ou Sete de Setembro. A primeira data dá nome à avenida que passa aqui perto de mim, em referência à fundação da minha cidade. Nesta avenida caí meus “Zombeteiros Tombos”! A segunda se refere ao dia em que supostamente o Brasil se tornou independente.
O dia de hoje, que numericamente fica 8 do 8, me parece muito mais interessante que 12 do 12 ou 10 do 10... Gosto do infinito em pé repetido... Mas gosto ainda mais de pensar hoje como “oito de seisembro”! 
Maldito seja Otávio Augusto por ter rebatizado o mês do seis e, além disso, ter roubado pro seu Agosto um dia de Fevereiro! Antes ainda, maldito Julio Cesar, que primeiro rebatizou um mês, o anterior, e, com isso provocou a inveja do tal "Oitavo Agosto"!
Mas mesmo que os meses e todas as coisas troquem de nome, tem coisas que ficam, e sempre ficam, deixando boas lembranças de outras estações... 
Mesmo com tantas belas primaveras, o final de uma delas me assombra... Maldito dezembro em que completei 29 voltas ao redor do sol! O meu mês preferido, de repente, se tornou o pior mês de minha vida... Palavras cortantes, doença, aproximação da morte em um leito de hospital... Como eu queria esquecer aquele mês de dezembro! Dia destes sonhei com as imagens de mote que vem me assombrando desde então...

“Se queres elevar-te, exercita a arte de esquecer.”

Mas que exercício difícil este proposto por Nietzsche! O próprio filósofo sabia desta dificuldade:

“Talvez o homem não possa esquecer nada. A operação de ver e de conhecer é complicada demais para que seja possível apagá-la de novo inteiramente; ou seja, para todas as formas que foram produzidas uma vez pelo cérebro e pelo sistema nervoso repetir-se-ão, a partir daí, muitas vezes. A mesma atividade nervosa reproduz a mesma imagem.”

E assim, sem conseguir me livrar dos fantasmas da memória, aquela primavera sempre me volta... Com tudo que ela trouxe de bom e de ruim...
Eterno retorno... Um movimento de loop incessante... 
Se pudesse trocar os meses numerais que têm a primavera, tiraria o dez daquele ano e colocaria o seis em seu lugar...

Mas nem a invenção do Seisembro,
pode apagar aquele Dezembro...
Me esforço, porem lembro...
Eu me lembro Dezembro...

terça-feira, 30 de julho de 2013

Sete e Trinta

Sete meses de vida, trinta anos atrás
Sete meses todo ano, tem um dia a mais
Sete dias pra semana acontece ano inteiro
Dia trinta não existe só no mês de fevereiro

Sete e trinta e o alarme logo me despertou
Sete vidas tem o gato, trinta gatas não amou
Daqui a trinta minutos, mais um dia pro mês sete
Trinta infernos separando do sétimo plano celeste

Sete notas musicais, mais as letras do alfabeto
Trinta sons que não traduzem todo amor e afeto
Sete anos pro menino, trinta pro pai inquieto

Dentro de trinta minutos será trinta e um outra vez
Em sete dias será mês oito, e o gosto de agosto se fez
Há trinta anos, mês sete, acho que julho de oitenta e três

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Mundo Meu

E o mundo finalmente atingiu o meu tamanho
Todas as fronteiras do universo estavam ao alcance dos meus olhos
Nenhuma porta que pudesse ser aberta ou fechada
Só havia o presente
Momento em que a vontade de se derramar em palavras foi maior que o gosto do silêncio
Sem nenhuma espera, anseio ou pretensão
Hoje apenas...

Sem continuar parodiando meu “Mundo Maior” de um ano atrás, e nem meu “Mundo Menor”, da estreia do blog ha exatos dois anos, quero deixar os dois como expressões que emanam de um mesmo universo...
Expressões que se juntam às outras 100 publicações de um “Mundo Meu”!
Foram 6300 visitas ao blog nos últimos dois anos, uma inesperada média de mais de 250 passantes por mês aqui no quintal virtual do meu mundo...

Mas pelo meu mundo passam várias pessoas que deixaram pedacinhos de si no meu universo... Alguns foram decisivos pra eu criar o blog há dois anos. É o caso do Gabriel, um grande amigo, que me contou sobre o sentido original da tragédia para os gregos, muito além do senso comum do “desastre” que os jornalistas largamente utilizam contemporaneamente e muito mais próximo do espírito da música...
Sobre a decisão de criar o blog, cito também a Andrea, que emprestou o computador pra Cithia nos ensinar a usar o blogger... Depois as duas (através de seus blogs) viraram interlocutoras dos textos daqui, e assim, nossa poesia se retroalimentava...
Foi legal quando uma desconhecida do Rio de Janeiro elogiou nos comentários um dos meus textos mais pesados: ”Dor, Tumor e Pausa”. Foi legal também quando o Carlos Maltz, baterista e co-fundador dos Engenheiros do Hawaii, pelo twitter apelidou-nos (ao ler alguns de nossos textos) de “Clã Pierrot”.
Mas várias vezes, gostávamos mais do Arlequim que do Pierrot...
Nem maior, nem menor... Nem Pierrot, nem Arlequim... Apenas Curinga!
Meu mundo aqui traz a marca de cada um que passou em silêncio, os que comentaram (publicamente ou inbox), os que inspiraram, emprestaram sorrisos, dores, tombos e as inúmeras sensações descritas aqui...
Curiosamente os textos que escrevi quando faltou inspiração pra poesia (Conceitos de Segunda), foram os de maior movimento por aqui...
Entre prosa, poesia e melodia, gosto muito de alguns que pouquíssima gente leu, e tem outros, mais populares, que dispenso...
Até quis apagar alguns deles, mas achei melhor mantê-los...

“Eu perdi as chaves,
mas que cabeça a minha!
Agora vai ter que ser
para toda a vida...”
(Humberto Gessinger)

Tudo ao sabor do Amor Fati... E como ouvi várias vezes o Gabriel dizendo: “Nem otimista, nem pessimista – Trágico...”
Desejo a todos os que estão passando os olhos por aqui, um feliz dia mundial do rock, que é comemorado amanhã...
Depois de tragicamente falar, nada como guitarras distorcidas, linhas de baixo e batera juntos em um som que no meu mundo remete ao sagrado...
Enquanto existir o “Trágica Mente Falando”, sempre vou celebrar aqui o aniversário do blog na véspera do dia do rock!

Pra fechar, vou citar um poeta que conhecia muito bem os limites do seu próprio mundo:

“Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...”

(Alberto Caeiro)


terça-feira, 9 de julho de 2013

Inverno Ensolarado [2013]*

Eu saí para ver o céu azul
Vi as nuvens passando sobre mim
E senti o sol me abraçar, Com seu calor,
depois de uma noite de frio.

Um sorriso no rosto e um violão
Um sorriso escondido na canção, 
que fiz pra mim
Pensando em você

E eu deitado embaixo do céu azul
E o sol me abraçando sem parar
E o vento gelado, enciumado,
Tenta apagar as cores da canção...

Mas nem a tempestade e um furacão,
Esse vento gelado e a solidão
Vão apagar o que eu escrevi pra você

Pensando em mim...

*Já postei esta música no dia 22/09/2011 com a versão da minha antiga banda "Os Bethulhas"! O blog completará dois anos em 3 dias, e foi legal tocar esta música com o ukulele num dia parecido com aquele em que compus a música há 9 anos.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Talvez

Talvez o talvez nos atrapalhe
Vamos tentar não falar, “talvez”
Talvez você não entenda o que eu quero dizer
Talvez você nem saiba que este é você

Vamos tentar?
Vamos tentar!
Vamos tentar?
...tal vez...
...talvez...

Talvez não consigamos fugir do talvez
Talvez a gente tenha até tentado
Talvez você nunca pudesse saber da tal vez
Talvez se você não fosse daqui,
A gente não se encontraria,
Eu ficaria privado... de um outro talvez...

Talvez isso tudo agora faça sentido
Que permite que a gente entenda ...talvez...
A canção que nasce com o sol,
que acaba com o luar,
que a noite inteira iluminou,

...tal vez...
...talvez...

Vamos tentar...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Antes de Nós

(Jeferson Sabran / Mateus Amanai)

Eu aprendi a costurar as letras
Eu aprendi a costurar palavras
Eu aprendi a misturar as frases
Que alguém falou...
Antes de nós

Eu aprendi a costurar as notas
Eu aprendi a costurar acordes
Eu aprendi a misturar os sons
Que alguém tocou...
Antes de nós...

terça-feira, 11 de junho de 2013

Sinal Verde












Chamei a garota pra sair
Seus lábios logo me disseram “não”!
Mas na luz dos olhos,
havia outro sinal
E esse sinal estava verde
Estava verde (2X)

Olhando nos olhos avancei
Peguei com carinho em suas mãos
Procurei seus lábios mas
na boca o batom
Me mostrava o sinal vermelho
Sinal vermelho (2X)

Eu dei um sorriso amarelo
Não sabia muito que fazer:
Se parava ou se avançava
Qual sinal devia obedecer?

Afastando-se ela me sorriu
Mas depressa veio me abraçar
No final do abraço os olhos
brilharam mais fortes
E Manchei meus lábios de vermelho

Depois do sinal verde
A luz dos olhos verdes
No sinal verde...