E era assim,
um dia típico de baixa primavera
na latitude 23 do Sul do Mundo.
Manhã fresca, tarde abafada e
chuva passageira antes do ocaso.
Ele era meio místico
Não obstante seu forçado sarcasmo.
Ria e cria piamente (ainda que de passagem)
nos efeitos do “inferno astral” em si.
Vinha vivendo o seu ao lado dela.
Mas uma constatação o abalou!
Sua "companhia medicinal" repentinamente
(como a chuva) viraria veneno...
Ela entraria amanhã no “inferno astral”.
Como poderia suportar dois infernos?
Assim, aquela presença que outrora curava
precisaria ser repelida, banida...
E não é que não a amasse. Pelo contrário!
Mas como querer ser maior que os astros?
Como desafiar o que era ordenado pelos céus?
Assim ele a deixou.
Ela não entendia e não aceitava.
Procurou entender, mas ele anunciou,
solenemente, e com rispidez
que ele não era mais ele...
Era hora de partir e deixar partir...
E entre tantos partidos e partidas
se partiu seu coração...
cabisbaixa pela rua, iniciado o inferno
sentiu-se culpada e chorou...
A dor afogava o peito trepidante,
enquanto as lágrimas limpavam os olhos.
Quando estava há um passo do abismo,
sentiu a chuva alcançar e abraçar
cada centímetro da sua pele...
Mal se molhara e já sentia a chuva partindo
Por que se foi tão depressa?
Mas não tinha volta - a chuva ausente ficou em si!
O frescor e a roupa molhada eram revigorantes.
Abriu os olhos e nem quis olhar para o abismo.
Resolveu erguer a cabeça e olhar pro céu.
Ficou na dúvida se o céu sempre fora lindo assim
ou se era efeito de sua dor... dor?
Sentia agora um prazer inexorável!
Sentia alegria pela chuva que passou.
Sentia alegria pelo amor que partiu.
Sorria de lembrar tudo de bom que viveu.
Trocar a postura cabisbaixa pelo céu.
Sentir gratidão pelo vento que passa.
Mas que fica ali, no corpo transmutado.
Tudo é transmutação, tudo passa...
O que não passa é esta reverência pela vida.
Agradecida sorriu como nunca tinha sorrido.
Lembrou-se que estava no inferno, mas que,
mesmo dali, podia-se voar até o céu com os olhos.
Podia-se enviar seu cheiro a viajar com o vento...
Podia-se amar aquele instante de vida inédito,
único, irrepetível, raro, sublime...
E se havia qualquer possibilidade de um dia se culpar
apenas por ter vivido a vida em sua plenitude,
o céu desenhou pra si um arco-íris respondendo:
Basta erguer a cabeça para tocar o céu e afirmar a vida!
Na pólis do amor não há espaço para culpa!
E s houver dor, que seja pra trazer a alegria!
Amém!
“...o meu inferno é o céu
pra quem não sente culpa
de nada...”
(Herbert Vianna)
Espaço destinado ao "Sim"... Ao "devir", ao riso e a entrega total ao tempo... Venha a dor, venha o prazer, venha a vida em sua plenitude... Tudo que é podre e morto, não será bem-vindo. Afastem-se, pois é só para vivos, só para loucos...
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Pedalada Engarrafada.
Gostaria de poder colocar cada centímetro pedalado ao seu lado em uma garrafa de vinho.
Esquecer que as vezes corro pra longe de ti por não suportar odores que pra ti são aromas essenciais.
Lembrar, no entanto, de todos os motivos que tinha pra fugir da nuvem de cigarro no lugar que eu estudava e respirar o ar puro do teu local de estudos.
Ah... Que estou eu a dizer? Esquecer... Lembrar...
Somando tudo e colocando na balança dos momentos que valem a pena ser vividos, sobram motivos pra agradecer.
Então coloco na garrafa de vinho o meu pneu de pista e o seu pneu de trilha.
Meu baixo viola e sua guitarra strato...
Nossos bons momentos em jogos de futebol e shows que curtimos juntos, e também aqueles que curtimos longe.
Coloco na garrafa o encantamento com certas ideias filosóficas, os impasses, os debates e a satisfação de chegar a bons argumentos temperados com o nosso salgado (e sagrado) suor.
Coloco na garrafa amoras e pitangas, um rio, um pedágio, uma usina histórica que já não existe, um outdoor, uma passarela e uma autoestrada federal onde pudemos deitar por alguns minutos...
Coloco as histórias que ouvi, e as histórias que contei...
Algumas histórias servem pra entreter, suportar os trajetos, as subidas.
Outras histórias são graves, fruto de muita imaginação em torno de um enredo que soa como ideia fixa.
Como foi bom verbalizar a ideia fixa!
Ver aquela frágil semente despontar pela primeira vez em palavras faladas.
Passo inicial pra uma história escrita, ou não...
Não sei que odores eu tenho exalado em minha sede de ar puro.
Mas sei reconhecer quando os teus sentidos silenciam em busca de ares diferentes dos meus.
Não sei se haverá ocasião em que andaremos novamente em busca dos mesmos odores, pistas, estradas ou melodias...
Amanhã? Depois? Talvez a frase do poeta (que não é nenhum de nós) peça um "tanto faz" ou "nunca mais"...
Mas "tanto faz" não seria opção pra mim...
Prefiro a imagem da garrafa de vinho.
Possibilidade de sorver cada momento novamente.
Mesmo que a vida condene a um eterno suor solitário.
Poder agradecer pelo que passou e pelo muito que ficou disso tudo.
Me abstenho no entanto de projetar...
Criar expectativa para além de mim seria uma forma de tirania.
Então não espero.
Mas celebro como quem viveu momentos que nenhum sábio, rico, milionário, ou santo viveu.
Momentos únicos e irrepetíveis.
Momentos que eu gostaria que tivessem durado um pouco mais...
Momentos que ajudam a afirmar uma vida que vale a pena ser vivida...
Ao último ser humano que me suportou por mais de duas horas,
Deixo um grande abraço e pedaladas engarrafadas neste dia especial!
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Zombeteiros Tombos III (ReTombando)
Ciclicamente
caí outra vez
Orgulhosamente,
desta vez
Mantive-me
longe da chave
Olhei e vi livre
a frase bike.
É um
zombeteiro negar do chão!
Ouço voz me
jurando um depois
Com
requintes de crueldade
Espreita o espírito
de gravidade...
Amanhece outro
dia verbal
De um livro
em escala mental
O calor no
meu peito é brutal
ReTombando:
corrida e pedal!sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Vida, Promessa e Loucura.
Tudo isso por causa de um
time de futebol?
Perdeu o juízo?
Perdeu o juízo?
Sabia que você pode morrer no
caminho?
Isso é loucura!!!
Mas deixe eu te contar um
segredo, os loucos são as melhores pessoas!
Escrever aqui não é uma forma
de me justificar, pois tudo está muito claro pra mim. Mas tentar traduzir todos
os sentimentos que me trouxeram ate aqui, pode ser uma maneira de incentivar a
mim mesmo na guerra particular que vivo em cada batalha de 24 horas e uns
quebradinhos a bordo deste planetinha errante e ilhado em meio a um imenso e absurdo
espaço vazio...
Pra entender o porquê de eu
estar partindo pra Bauru de bicicleta às 3:33 da madrugada vindoura, seria
preciso contar toda uma história de mais de 10 mil anos, mas voltemos apenas
quatro, ao ano de 2011.
Era meu aniversário, o que,
no meu calendário particular, chamo de “dia do Curinga”. Já estavam armadas as
comemorações. Havia sido um ano mágico. Eu tinha cumprido todos os créditos do
mestrado em história social e só me restaria escrever uma dissertação inovadora
– um texto que citava músicas em mp3, sem as letras. A primeira dissertação da
UEL que seria entregue em formato digital. Além do mestrado, a inspiração extravasava.
Criei este blog pra canalizar os pensamentos e sentimentos em poesia e prosa...
Mas nem tudo foram flores
naquele ano tão primaveril. O meu filho Luiz Miguel, com seis anos incompletos,
estava com uma gripe forte e incessante havia uma semana. Fomos ao hospital
pela manhã e, o final do dia, que seria em um churrasco, acabou na UTI do
hospital evangélico. Depois de viver dias dramáticos e cheios de suspeitas (primeiro
de gripe, depois de dengue hemorrágica, e por ultimo leucemia), ele foi
diagnosticado com uma doença genética rara – Anemia de Fanconi. A Medula Óssea
estava em processo de falência e seria necessário encontrar um doador compatível
para que ele fizesse um transplante em Curitiba.
Em meio ao caos e a angustia,
minha vida quase paralisou em 2012. Só consegui escrever minha dissertação de
mestrado graças a compreensão e apoio do meu orientador e amigo Gabriel Giannattasio.
Mas um projeto foi colocado em prática. O Luiz Miguel foi comigo em quase todos
os jogos do Londrina na divisão de acesso do Paranaense no ano anterior. Com
alguns amigos de uma velha banda, tínhamos a intensão de gravar o Hino do LEC
em versão de Rock, comemorando o acesso. Já que não tínhamos um doador
compatível pro Luiz Miguel e ele era totalmente compatível com a paixão pelo
Londrina e o Rock and Roll, criamos a banda Medula Óssea (esta 100% compatível
com ele).
Mas aquele ano foi duro. Íamos
a Curitiba a cada dois meses. A imunidade dele estava tão baixa que foi
proibido de frequentar a escola e qualquer lugar fechado. Ficaria quase que um prisioneiro
em casa. Era preciso encontrar uma motivação. O Estádio do Café, enorme e
(felizmente neste caso específico) com pouco público, era um local que ele
podia frequentar. Bastava ocupar um local onde não houvesse pessoas ao redor. Pra
diminuir a tensão em ter que ir tomar agulhadas em Curitiba, mostrei pra ele
que o Estádio do nosso rival Coritiba era vizinho do hospital, e o nosso time,
vez ou outra, também tinha que encarar difíceis jogos ali, “fora de casa”.
Assim as coisas foram se
encaixando... O time era metáfora para a vida. Não fomos tão bem em 2012, mas
estávamos de volta! E qual não foi a alegria do Luiz Miguel (e minha) quando
ouviu a Medula Óssea dele tocando no som do estádio? Mas aquele ano conturbado
me fez perder as estribeiras no difícil dia do meu aniversário. Saí pedalando
igual a um louco embaixo de uma tempestade, sem preparo e ferramentas em
direção à casa de meu pai, em Bauru. Desisti em Sertanopolis, quando o corpo
percebeu que seria impossível percorrer os 300 km...
Em 2013 as coisas seriam bem
melhores! O Luiz Miguel teve uma melhora nos exames e, mesmo sem doador ainda,
poderia voltar a conviver com os amiguinhos na escola. O nosso time fazia
grandes jogos no estadual e, as vésperas do jogo que definiria o “campeão do
primeiro turno”, diante do Coritiba aqui, “em casa”, meu irmão (baterista da
Medula Óssea) encontrou o Técnico Claudio Tencati e pediu pro Luiz Miguel
entrar em campo com seu jogador preferido, o goleiro Danilo. O Bruno Maffi, que
trabalha na TV Tarobá, presenciou o pedido e a receptividade e boa vontade do
nosso querido treinador. Assim conseguiram armar uma surpresa pro Luiz Miguel,
o goleiro Danilo apareceria em um ensaio da banda Medula Óssea, daria uma
camisa pra ele e ele entraria em campo com seu ídolo. Que dia feliz!
Mas o Londrina perdeu. A arbitragem
jogou contra a gente. Mas a grande lição veio da torcida – 30 mil pessoas
gritando “É Tubarão”, mesmo depois da derrota. A vida é assim, Luiz Miguel –
não podemos desanimar com as derrotas. Aquele ano guardaria uma outra derrota
amarga, em Caxias do Sul, pela série D do brasileirão.
No final do ano gravamos uma
outra versão de hino do Londrina, desta vez um Blues pra “Bandeira do Meu Coração”.
O Luiz Miguel foi o mascote-torcedor no clipe que gravamos no litoral norte de
São Paulo:
O nosso time continuava sendo
motivo de inspiração pro pequeno garoto. Mas vencer um campeonato estadual,
depois de 22 anos, contra times da capital que tem muito mais dinheiro e estrutura
era uma missão quase impossível. Mas o nosso hino já diz que o clube, pra nós,
é maior que títulos “o que importa é o ideal de vitória, pois para nós tu serás
sempre campeão”. Mas esta coisa do ideal era complicado quando se pensava na
doença dele. Um “ideal de cura” não o devolverá a possibilidade de poder jogar
bola e fazer educação física normalmente na escola. E por isso torci... O
Londrina ser campeão, seria a motivação que estamparia a máxima da música do
Charlie Brow Jr. Que diz que “o impossível é só questão de opinião. E disso os
loucos sabem, só os loucos sabem...”! Na verdade, antes mesmo do título, no
jogo dos 4 a 1 contra o Atlético-PR, o impossível já se oferecia para nós...
Um pouco de loucura, muito de
determinação e um grito que explodia em Maringá. Ele viu da TV, pois era um
espaço muito perigoso pra ele. Mas nos fomos, empurramos e levamos a bandeira
da “Medula Óssea”.
Este ano começou difícil. Em
Curitiba os médicos, que testavam (até hoje) uma medicação alternativa para
poder adiar o transplante, diziam que não haveria um doador pra ele. O transplante
deveria ser feito com uma medula metade compatível com a dele, a minha...
Caraca! Agora era eu o portador
do liquido que poderá salvar sua vida. Ainda que seja um tratamento bem mais difícil
do que seria com um doador 100% compatível, era um caminho, uma hipótese para a
cura. Decidi que iria me cuidar. Passei a pedalar todos os dias. Os aplicativos
de bicicleta pra celular me faziam sempre desafiar a mim mesmo. Foi em um tour
de bike até o pedágio de Jataizinho com os amigos Juliano Casonatto e Márcio
Silveira que, ainda em abril, fiz a promessa: “Se o Londrina subir pra série B
do brasileirão, eu vou pra Bauru de bike”.
Os loucos sabem... Os loucos
me entenderão... Quando Luizão (um Luiz – quem diria?), camisa 3, fez o gol do
acesso, a minha viagem estava marcada. As pessoas ao meu redor, sobretudo o
Luiz Miguel, ao fim daquele memorável jogo contra o Confiança-SE gritavam “Vai
pra Bauru... Vai pra Bauru...”.
Amem!
(foto/reprodução - RPC TV)
Decidi que partiria logo
depois de completar 33 anos (foi ontem). Em um ano que superamos a terceira
divisão nacional, um ano em que voltei aos blogs e à poesia em um “clã de 3
pessoas”, um ano de 3 mil motivos pra lembrar que a vida é curta e que, “tudo
vale a pena quando a alma não é pequena”... São tantos “3”, que decidi partir
às 3:33 desta madrugada...
Não vou pensando nos riscos. Vou
porque estou vivo! Vou porque quero superar a mim mesmo! Vou pra agradecer pelo
time de futebol da nossa cidade, do nosso bairro, que vive nos dando motivos
pra nunca desistir, vive nos mostrando que, pra nós, os loucos, não existe o
impossível!
Obrigado Londrina Esporte
Clube!
Obrigado Luiz Miguel e Clara
(a irmã que canta todas as musicas da Falange Azul), vocês são a maior lição de
vida e alegria que eu poderia ter!
Obrigado a todos vocês que
chegaram ao fim deste longo texto e agora torcem por nós também!
Quanto a promessa, não garanto que eu a conclua (como sempre diz o Tencati, não dá pra prometer vitória, mas sim vontade) neste fim de semana. Mas será a primeira tentativa! Até o início da série B 2016, certamente conseguirei! Mas estou confiante... O universo (e até a grama do VGD) parece conspirar a favor...
Vamos pra Cima Tubarão!!!
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Primavera Interior
Quando o inverno
apresentava todos os sinais de seu derradeiro fim,
Preparei-me para a
conversão que traria alívio imediato de minha dor
Alegrei-me
timidamente, mas já preparando a euforia que viria com os ventos da mudança.
Chegou a primavera?
Olhei pra direita e
pra esquerda. Nada.
Olhei de minha cama as
sombras de folhas que me acompanharam nas noites de insônia no inverno.
Nada.
As mesmas folhas, os
mesmos movimentos, a mesma dor.
Pensei então que a
primavera começaria de fato com o raiar do dia.
Esperei o sol.
O dia veio, lindo, em
cores alegres, como toda primavera.
Mas havia espessa
nuvem diante de meus olhos.
Uma nuvem rosada e
leve, mas que escondia toda a beleza da estação que me traria de volta a
alegria.
Raios!
Tudo parecia desesperadamente
igual!
Alberto Caeiro, com
sua sinceridade cortante me consolava com a ideia de que a primavera não podia
ser uma pessoa e nem era uma coisa.
Viriam novas flores
coloridas e novas folhas verdes.
Nada igual.
Mas pra mim, tudo
parecia igual. Não igual à imagem da primavera passada, mas igual ao dia
anterior, onde o inverno ainda dava seus últimos suspiros.
Suspirei.
Será que o inverno
seguiria me assombrando pelos dias de primavera?
A primavera viria no
verão ou viriam quentes dias de inverno em janeiro?
O Inverno sobreviveria
pra sempre em mim?
Mas estes
questionamentos só me vieram por conta da expectativa que criei. Esperava
alívio imediato, mas talvez fosse preciso esperar.
Depois de um giro de
180 graus, a nuvem rosada se dissipou.
Um fio de esperança
surgiu diante dos meus olhos.
A nuvem rosada agora
se resumia a tonalidades de rosa, misturada com tonalidades de azul.
Toda a natureza me
apareceu ali, recheada de beleza e vida.
Love, love, love...
Como na canção dos
Beatles, as nuvens pareciam lembrar que tudo o que preciso é de amor.
180 graus que a terra
deu em torno de si e a primavera, com meio dia de atraso, começou!
Agora meu coração já
sente o frescor acalorado de um clima primaveril.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Ruínas e Barra-do-dia.
O sol está perdendo a guerra contra a escuridão!
Os dias são cada vez mais curtos!
Há quem tenha perdido as esperanças.
Há os que falam do fim dos tempos...
Mas qual é o fim?
Qual é a finalidade?
Não espero responder!
Mas guardo a impressão de que cada um dará seu próprio fim aos tempos, afinal, como disse um poeta, viver não é preciso!
O fim dos tempos não deve ser preciso...
Somos construtores de ruínas, mas mesmo assim o sol segue aparecendo de manhã.
Tem ficado menos tempo no céu, é verdade...
Mas já há profetas que falem de um evento grandioso - um tal de solstício! Dizem que este dia está próximo e que, a partir daí, os dias ficarão cada vez mais longos e o sol vencerá a escuridão...
Os dias são cada vez mais curtos!
Há quem tenha perdido as esperanças.
Há os que falam do fim dos tempos...
Mas qual é o fim?
Qual é a finalidade?
Não espero responder!
Mas guardo a impressão de que cada um dará seu próprio fim aos tempos, afinal, como disse um poeta, viver não é preciso!
O fim dos tempos não deve ser preciso...
Somos construtores de ruínas, mas mesmo assim o sol segue aparecendo de manhã.
Tem ficado menos tempo no céu, é verdade...
Mas já há profetas que falem de um evento grandioso - um tal de solstício! Dizem que este dia está próximo e que, a partir daí, os dias ficarão cada vez mais longos e o sol vencerá a escuridão...
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Inútil Compaixão
Queria escrever o mais belo poema do mundo
Sem rima nenhuma, deixar meu recado
Queria saber que, só de te saber assim,
só de escrever... te salvei do afogamento!
Mas embora saiba da água que te oprime,
da correnteza implacável que poderá aproximar
ou afastar a maré da altura de tuas narinas...
ou afastar a maré da altura de tuas narinas...
Meu deus, que aflição!
De mãos atadas pela distância, escrevo.
De mãos livres, aqui, escrevo
De mãos livres, aqui, escrevo
um conforto, um apoio, uma oração...
Mas não entendo de oração, gramática, compaixão...
Nas rimas que perdi outrora
No verso que retorna agora
Me coloco ao seu lado,
distante, a esperar
[Esperar com quem
sempre espera comigo]
sempre espera comigo]
Esperar é o que posso
até tudo passar...
"...seu corpo exige atenção
E nessas horas nada mais importa.
Nem oração, nem poemas
Nem música, nem televisão..."
E nessas horas nada mais importa.
Nem oração, nem poemas
Nem música, nem televisão..."
(Leoni)
sábado, 4 de abril de 2015
iPoem
Poeta
parado na fila
Na fila
que eu não vou parar
Num bloco
de notas moderno
Poemas me
ponho a criar.
Poeta
parado na fila?
Poeta
parado não há!
Na fila
haverá poesia
Só basta
ao poeta encontrar.
Poeta
vivendo na fila
E nada o
fará desligar
Se então
acabar bateria
Fará
poesia no olhar.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Sexta da Paixão
Do alto
da cruz, todo lambuzado de um líquido vermelho que não era meu sangue,
Vi um
povo piedoso fingindo acreditar que eu sangrava.
A minha
voz repetia frases repetidas por mais de dois mil anos
em
igrejas, lares, bares e outros teatros como aquele...
Do alto
da cruz eu, muito vivo, fingia morrer!
E as
pessoas que fingiam crer na minha morte,
queriam
me ver vivo novamente.
Então eu,
morto de cansaço,
dolorido
pelos parafusos que agarrei com os dedos na cruz,
ferido
pelas pancadas que levei
quando os
que deveriam fingir me bater me bateram de verdade...
Assim eu,
morto, fingia estar vivo...
Todo de
branco, braços erguidos e uma mensagem de fé e paz...
Todos me
vendo, não me viam!
Alegres
voltavam pra casa pensando ter visto,
mesmo sem
ver, toda a paixão de Cristo...
E se de
devoção não sou assim tão adepto,
ao menos
de paixão eu sou...
E assim,
apaixonado, entregava minha pesquisa,
minhas
escolhas no roteiro,
meus
acréscimos interpretaríeis em uma história clássica...
E com
ajuda de muitos em cena,
o ciclo
por várias vezes se repetiu:
vivo
fingindo estar morto e morto fingindo estar vivo...
Por mais
de três vezes morri!
Nas
mortes, a parte tudo que perdi, sempre eu ressuscitei!
Agora a
minha voz, que antes imitava as palavras de deus,
é ela
própria a voz de um deus...
terça-feira, 31 de março de 2015
Inspiração e Vida
Não vou
usar o clichê de dizer que "são a razão da minha vida". Não são! Até
porque não acho que a tal "razão" seja lá grande coisa...
Com eles
aprimorei meu egoísmo (entre todos os "ismos" o que mais me agrada)!
E não no sentido raso e liberal do termo. Não enxergo possibilidade de
existência humana alheia ao egoísmo. Até o altruísmo, na medida em que faz bem,
tem finalidade egoísta! Tudo o que se pretende coletivista remete à diluição e
morte do indivíduo em favor de causas mortas, vazias, alheias a vida...
Mas
voltando a reflexão, com eles aprendi a aproveitar cada segundo e viver na
urgência de não poder mais amanhã. A doença que assombra e provoca piedade sob
uma perspectiva pessimista, é a mesma que em nós impulsiona ao deslumbramento e
a intensa vontade (força) de viver!
De minha
parte, quero entregar meus dias na tentativa insana de prolongar sua existência
comigo! Quero mostrá-los que, embora a luta deles seja só deles, estou pronto
pra ficar sempre perto e, se necessário, sacrificar minhas maiores vontades em
favor de suas necessidades...
Por que
isso se sou egoísta?
O meu
egoísmo é assim... Minha luta pra vislumbrar o impossível é o que me inspira!
Por isso adapto o clichê:
Eles são
a inspiração da minha vida!
Hoje é
dia de comemoração simultânea! Há exatos 9 anos convivo com o curinga Luiz
Miguel. Em um mesmo 31/03, há 4 anos, chegou a pequena jocker Clara!
Bicicletas
e muita alegria neste aniversário! Que venham mais dias de luta! Estou
preparado!
"O
meu egoísmo é tão egoísta
Que o
auge do meu egoísmo é querer ajudar.
Não sei
porque nasci
Pra
querer ajudar
A querer
consertar
O que não
pode ser.
Não sei
pois nasci para isso
E aquilo
e o inguiço de tanto querer.
Carpinteiro
do universo inteiro eu sou assim!
No final,
carpinteiro de mim." (Raul Seixas).
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