Espaço destinado ao "Sim"... Ao "devir", ao riso e a entrega total ao tempo... Venha a dor, venha o prazer, venha a vida em sua plenitude... Tudo que é podre e morto, não será bem-vindo. Afastem-se, pois é só para vivos, só para loucos...
OPERAÇÃO ALMA (Mário Quintana) Há os que
fazem materializações...
Grande
coisa! Eu faço desmaterializações.
Subjetivação
de objetos.
Inclusive
sorrisos,
Como aquele
que tu me deste um dia com o mais puro azul de teus olhos
E nunca mais
nos vimos (Na verdade a gente nunca mais se vê...)
No entanto,
Há muito que
ele faz parte de certos estados do céu,
De certos
instantes de serena, inexplicável alegria,
Assim como
um vôo sozinho põe um gesto de adeus na paisagem,
Como uma
curva de caminho,
Anônima,
Torna-se às
vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!
SORRISO DA CLARA
QUEM ALÉM DE VOCÊ? (Leoni)
DO GRANDE ANSEIO (trecho)
“Ó minha
alma, eu Compreendo o sorriso de tua melancolia: tua própria opulência estende
agora mãos que anseiam!
Tua
abundância lança o olhar sobre mares que estrondeiam, e busca espera; anseio da
superabundância olha desde o Céu de teus olhos sorridentes!
E, em
verdade, ó minha alma, quem veria teu sorriso e não se desfaria em lagrimas? Os
próprios anjos se desfazem em lagrimas ante a superbondade do teu sorriso.
É tua
bondade ou superbondade que não quer lamentar e Chorar: e, Contudo, ó minha
alma, teu sorriso anseia por lagrimas, e tua boca trêmula, por soluções. ‘Todo Choro não é um
lamento? E todo lamento não é uma acusação?’ Assim falas Contigo mesma, e por
isso, ó minha alma, queres antes sorrir do que desafogar teu sofrimento. [...]”
(Friedrich Nietzsche – Assim Falou Zaratustra, Terceira parte, pg. 146)
No silêncio
do poeta se guardou palavras do dia-a-dia
Dias que não
trouxeram nada de belo pra ser congelado
Às vezes no
silêncio há espera pelo inacabado
Por mais que
o poeta se cale, seus fantasmas berram
E assim
evitando o verso triste as palavras esperam
Quantas
rimas ocultas na mente que mente sua dor?
Quantos
espinhos guardados num verso solto de amor?
O amor, a
cor, a dor e o anuncio primo de que logo é verão
E o fim do
mundo escrito grita e dita o que os olhos verão
Verão verão
os olhos?
Verão verão os vivos!
Quem
sobreviver ao fim do mundo verá
Assim que chegar
ao fim toda primavera
Que deveras viram os vivos a vida em Vera
Ah, linda prima-vera que esconde em si o verão
Outono e
inverno o mantém dentro do coração
A chama que chama a poesia não se apaga não...
“E no meio de um inverno eu finalmente
aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.” Albert Camus
P.S. Poema em resposta ao 4'33" da minha querida amiga Tim Gonçales, que, atendendo a um pedido meu, salvou um afogado... P.P.S. Nossa discussão em torno do silêncio poético foi inspirada pelo texto "Af(*)rça d(*) silênci(*) - 72" de Humberto Gessinger.
Há momentos em que a beleza e fascínio pela vida parecem tão evidentes, ficam tão a-flor-da-pele que o suicida parece ser o maior de todos os criminosos.
De repente, quando toda a rede de significação que nos mantém conectados às outras pessoas e ao mundo se desmancha feito algodão doce na boca, o suicida parece ser o mais sensato entre os homens.
Escolher a hora da partida, colocando um ponto final na própria vida no momento em que desejar, parece ser o maior entre todos os atos de coragem... Ao mesmo tempo, mudando só um pouquinho o ponto de vista, tragicamente observando, tal gesto pode parecer uma baita covardia... Seja qual for o ângulo, não deixa de ser um gesto sublime...
Há exatamente 40 anos, depois de comemorar seu vigésimo oitavo aniversário, o poeta Torquato Neto, o suicida exemplar (segundo Cesar Augusto de Carvalho), embarcava num disco pra bem longe do asterisco onde vivemos... Mas antes, um último poema:
"Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar".
O Thiago, único herdeiro do homem que sobrevoava e saboreava o universo a bordo de sua poesia, hoje tem 42 anos e é piloto de avião...
Fiquei frustrado hoje ao ouvir a rádio que eu costumava ouvir na minha adolescência nos anos 90... Conferi se estava ouvindo a radio certa, afinal a música sertaneja tocava em outra frequência, numa estação que eu só escutava pra conferir a hora em tempos que nem relógio tínhamos em casa. Eu que estava carente de minhas canções preferidas, fiquei por uns minutos refém daquela estação.
Mas quero falar de outra estação... Hoje é o dia da Árvore! Ao chegar na frente da casa da minha tia, onde minha mãe passaria o dia com meu filho e nossos primos, havia uma arvore enorme derrubada pelos ventos e a chuva da madrugada!
Pobre destino daquela árvore! Veio a óbito no seu dia! Ela que já preparava suas flores amarelas pra chegada da primavera caiu na véspera da chegada da nova estação.
Numa outra estação, no ultimo ano do século (milênio) passado, conheci duas pessoas que se tornaram especiais nesta minha jornada pelos trilhos da vida. Num dia 21 de Setembro, como hoje, lembro que fiz com minhas próprias mãos (e receita da vó Mafalda), um bolo para os dois naquele mesmo ano. Hoje aproveitei uma mesma mensagem no Facebook pra felicitar ambos.
Que importância tem o rádio com suas músicas ruins? Que importância tem a arvore morta na véspera da primavera? Pouca, ou nenhuma, diante da lembrança que tenho dos amigos que estão completando hoje mais uma volta ao redor do sol!
Espero que a alegria seja presença carimbada por quaisquer estações por onde os dois venham a passar, sintonizar, enxergar, sentir...
Deixo o colorido da arvore morta, que em sua ultima e nobre missão, serviu de moldura para a alegria das crianças neste dia especial.
Prefiro enxergar o oito como um infinito não acomodado
Ele está de pé agora, pois sabe que permanecera inerte no fim
Fim?
A ideia de fim mata o infinito...
É aí que entra o oito.
Ele sabe-se infinito, mas está de pé
É eterno em sua duração.
Entende todo o fim como um recomeço
A oportunidade de que a novidade floresça
Em época de olimpíadas, observando os jogos
Na mágica e sonhada cidade de Londres
Fico pensando que é justo que os atletas envelheçam
Que graça teriam os 100 metros rasos se Usain Bolt fosse
imortal?
Ele passaria os dias treinando e seria cada vez mais rápido.
Mas Jorge Luiz Borges ensinou que os imortais
enjoam da vida
Bolt um dia se cansaria...
Todos os indivíduos, se fossem infinitos, mergulhariam no tédio
Saber-se imortal, acaba com o charme da vida
Diria até que neutraliza a palavra “vida”
O que seria da vida sem seu oposto?
Deixaria de existir!
Imortalidade, assim posto, é igual a Morte...
Não pretendo provar esta tese
Nietzsche também não provou o eterno retorno...
...eterno...retorno...
Se eu pudesse escolher um símbolo pra isto seria o 8
O universo em expansão da ciência parece corroborar a ideia do retorno
Sístole e Diástole... Um dia tudo o que está se expandindo vai
voltar
Assim tudo recomeça, e sem sabermos disso
Voltaremos a ocupar um espaço mínimo na existência
Viveremos tudo outra vez. Repetiremos cada segundo... Cada
escolha...
Assim o poeta alemão ensinou que é preciso viver como se tudo
fosse voltar
Infinitamente as coisas vão se repetir...
Estaremos eternamente presos a cada caminho que percorremos...
Quem chega a esta conclusão pode viver cada
momento em sua plenitude
Sem a esperança ilusória de “dias melhores” no futuro...
O melhor instante, ou melhor, o único instante importante, é
agora!
Nada além disto é alcançável... e tudo o que tem neste portal
é eterno!
Como dizia outro poeta, este português:
“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na
intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas
inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Fernando Pessoa.
Que venham outros atletas vitoriosos ao Rio de Janeiro!
Assim o homem vai superando o homem...
Em direção ao Super-Homem?
Não estou convencido disso, mas toda novidade é necessária!
Um dia ela se tornará veterana, e vai dar espaço a outras novidades...
Mas os velhos campeões jamais são esquecidos...
Foi legal ver o povo Britânico aclamando a Paul McCartney como um patrimônio Local.
Será que no Rio mostraremos o Michel Teló?
Não quero nem pensar na abertura das olimpíadas do Rio...
Londres está legando imagens e sons emocionantes...
Tenho ouvido muito som do "Queen" nos intervalos de algumas modalidades em Londres...
Nenhuma canção combina mais com uma conquista do que esta:
Outro dia, vendo uma foto especial de 8 anos atras, eu disse que se o oito deitasse viraria infinito... Espero, no entanto, que o oito não se deite... Quem se acomoda, se esquece do valor que tem cada um destes milagrosos e por vezes "impossíveis" momentos de vida... Um universo inteiro teve que conspirar para que estivéssemos todos nós aqui e agora... Contemporâneos uns dos outros... Um universo inteiro precisa conspirar para que exista uma amizade... Que o fim das coisas não nos desanime, ao contrário, nos faça valorizar tudo o que temos... Afinal, é provável que todas as coisas voltem mesmo! E de maneira idêntica e eterna...