sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Coletânea Sorriso e Alma

OPERAÇÃO ALMA (Mário Quintana)

Há os que fazem materializações...
Grande coisa! Eu faço desmaterializações.
Subjetivação de objetos.
Inclusive sorrisos,
Como aquele que tu me deste um dia com o mais puro azul de teus olhos
E nunca mais nos vimos (Na verdade a gente nunca mais se vê...)
No entanto,
Há muito que ele faz parte de certos estados do céu,
De certos instantes de serena, inexplicável alegria,
Assim como um vôo sozinho põe um gesto de adeus na paisagem,
Como uma curva de caminho,
Anônima,
Torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!


SORRISO DA CLARA

QUEM ALÉM DE VOCÊ? (Leoni)

DO GRANDE ANSEIO (trecho)
“Ó minha alma, eu Compreendo o sorriso de tua melancolia: tua própria opulência estende agora mãos que anseiam!
Tua abundância lança o olhar sobre mares que estrondeiam, e busca espera; anseio da superabundância olha desde o Céu de teus olhos sorridentes!
E, em verdade, ó minha alma, quem veria teu sorriso e não se desfaria em lagrimas? Os próprios anjos se desfazem em lagrimas ante a superbondade do teu sorriso.
É tua bondade ou superbondade que não quer lamentar e Chorar: e, Contudo, ó minha alma, teu sorriso anseia por lagrimas, e tua boca trêmula, por soluções.
‘Todo Choro não é um lamento? E todo lamento não é uma acusação?’ Assim falas Contigo mesma, e por isso, ó minha alma, queres antes sorrir do que desafogar teu sofrimento. [...]” (Friedrich Nietzsche – Assim Falou Zaratustra, Terceira parte, pg. 146)

SORRISOS: LUIZ MIGUEL e RAUL SEIXAS


Viva e deixe morrer...

Eu que acredito ver tudo em constante mudança
Já não me incomodam palavras da voz da lembrança
Os meus “eu te amo” voltaram pro seu lado escuro
Dos teus não interpreto e nem julgo de cima do muro

Só guardo os sentidos de alguém que já foi muito amado
Escolheste ir embora e negar quem me foi no passado
Não te incomodes que aqui viva sempre ao meu lado
Aquela menina que foste e que em mim tem ficado...

Saudades do tempo em que a gente se harmonizava
Quando “amor”, “fogo” e “chão” só a gente rimava
Amor e amizade cresceram palavra em palavra

O tempo nos faz esperar por quem se cativou
Mas aquela voz impiedosa o que foi que falou?
Deixe morrer a menina que tu tanto amou...

Rafael Smith



sábado, 10 de novembro de 2012

10.11.12


Conta até dez, respira que a raiva passa!
Pensou a menina canhoteira
Não deu certo! Preciso contar até duzentos!
Então eu disse
Conte apenas mais dois!
Veja: A data de hoje é um sinal: 10.11.12
Há um ano era véspera do estático 11.11.11
Agora tem movimento!
Pena que me escapou o momento exato!
Passou despercebido o instante do infinito progresso mensurável:
10.11.12 13’14”15segundos16centésimos17milésimos...
Mais rápido que um piscar de olhos, foi-se o instante
A dízima periódica existiu em um período muito curto
Instante insuficiente para proferir uma única sílaba...
Mas... E aí? Passou?
A raiva?
Se não, pelo menos podes senti-la contra estas palavras
Mudar o foco da raiva talvez a enfraqueça...
Será melhor se tu conseguir sanar esta raiva garota canhoteira!
Amanhã tu completas outra volta ao redor do sol a bordo da terra!
Opa! Já passa da meia noite! Adentramos em 11.11.12...
Certo é que não serei o único canhoteiro a querer te ver desenhar no rosto o melhor dos seus sorrisos hoje...

Verão Verão?!

Silenciar nem sempre é atributo de mentes vazias
No silêncio do poeta se guardou palavras do dia-a-dia
Dias que não trouxeram nada de belo pra ser congelado
Às vezes no silêncio há espera pelo inacabado

Por mais que o poeta se cale, seus fantasmas berram
E assim evitando o verso triste as palavras esperam
Quantas rimas ocultas na mente que mente sua dor?
Quantos espinhos guardados num verso solto de amor?

O amor, a cor, a dor e o anuncio primo de que logo é verão
E o fim do mundo escrito grita e dita o que os olhos verão
Verão verão os olhos?
Verão verão os vivos!

Quem sobreviver ao fim do mundo verá
Assim que chegar ao fim toda primavera
Que deveras viram os vivos a vida em Vera

Ah, linda prima-vera que esconde em si o verão
Outono e inverno o mantém dentro do coração
A chama que chama a poesia não se apaga não...

“E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.” Albert Camus

P.S. Poema em resposta ao 4'33" da minha querida amiga Tim Gonçales, que, atendendo a um pedido meu, salvou um afogado...
P.P.S. Nossa discussão em torno do silêncio poético foi inspirada pelo texto "
Af(*)rça d(*) silênci(*) - 72" de Humberto Gessinger.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Torquato Neto há 40 Anos

"Terra, mar e atenção. O futuro é hoje, cabe na palma da mão..."

Há momentos em que a beleza e fascínio pela vida parecem tão evidentes, ficam tão a-flor-da-pele que o suicida parece ser o maior de todos os criminosos.
De repente, quando toda a rede de significação que nos mantém conectados às outras pessoas e ao mundo se desmancha feito algodão doce na boca, o suicida parece ser o mais sensato entre os homens.

Escolher a hora da partida, colocando um ponto final na própria vida no momento em que desejar, parece ser o maior entre todos os atos de coragem... Ao mesmo tempo, mudando só um pouquinho o ponto de vista, tragicamente observando, tal gesto pode parecer uma baita covardia... Seja qual for o ângulo, não deixa de ser um gesto sublime...

Há exatamente 40 anos, depois de comemorar seu vigésimo oitavo aniversário, o poeta Torquato Neto, o suicida exemplar (segundo Cesar Augusto de Carvalho), embarcava num disco pra bem longe do asterisco onde vivemos... Mas antes, um último poema:
"Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar".
O Thiago, único herdeiro do homem que sobrevoava e saboreava o universo a bordo de sua poesia, hoje tem 42 anos e é piloto de avião...


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Canção silenciosa

Quantos momentos divididos entre nós
Instantes de vida, fortuna que ousamos repartir
Frases, cores, ações e orações
Tudo junto em uma única canção

Lado a lado alguns momentos mais distantes
Tão distantes beijos frios em sol ardente
Frases, coisas que deixamos de fazer
São só pausas: do silêncio sai canção

Corações despreparados não entendem
As cabeças já formadas não toleram
Só os tolos poderão compreender

Minha história é verdadeira: sem verdades
Sou rebelde e sigo regres de soneto
Do silêncio sai canções que nunca esqueço


Rafael Smith - 02/04/2005

sábado, 27 de outubro de 2012

terApia

Onde é que foi parar toda a minha poesia?
Vasculhei armários gavetas e até debaixo da pia
Parei e ouvi o coração, que insanamente batia
Batendo aumentava a dor que fica aqui todo dia

Muitas vozes disseram: Precisas de terapia!
Ter a pia cheia de louças, ou ter a pia vazia?
A pia cheia é vestígio da refeição de alegria
Pelo ralo sujo escutei a voz frágil da poesia

A vó foi comprar balcão, pra construir outra pia
E eu querendo destruir aquela onde ouvi melodia
A pia em cacos se fez, na força do amor que sentia

Entre os mármores me sorriu, ferida minha poesia
Peguei-a nos braços, beijei, na dor escutei alegria
Agora entendi pra valer, o sentido de terApia!!!


               Raul Seixas embaixo da pia.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

As Estações

Fiquei frustrado hoje ao ouvir a rádio que eu costumava ouvir na minha adolescência nos anos 90... Conferi se estava ouvindo a radio certa, afinal a música sertaneja tocava em outra frequência, numa estação que eu só escutava pra conferir a hora em tempos que nem relógio tínhamos em casa. Eu que estava carente de minhas canções preferidas, fiquei por uns minutos refém daquela estação.
Mas quero falar de outra estação... Hoje é o dia da Árvore! Ao chegar na frente da casa da minha tia, onde minha mãe passaria o dia com meu filho e nossos primos, havia uma arvore enorme derrubada pelos ventos e a chuva da madrugada!
Pobre destino daquela árvore! Veio a óbito no seu dia! Ela que já preparava suas flores amarelas pra chegada da primavera caiu na véspera da chegada da nova estação.
Numa outra estação, no ultimo ano do século (milênio) passado, conheci duas pessoas que se tornaram especiais nesta minha jornada pelos trilhos da vida. Num dia 21 de Setembro, como hoje, lembro que fiz com minhas próprias mãos (e receita da vó Mafalda), um bolo para os dois naquele mesmo ano. Hoje aproveitei uma mesma mensagem no Facebook pra felicitar ambos.
Que importância tem o rádio com suas músicas ruins? Que importância tem a arvore morta na véspera da primavera? Pouca, ou nenhuma, diante da lembrança que tenho dos amigos que estão completando hoje mais uma volta ao redor do sol!
Espero que a alegria seja presença carimbada por quaisquer estações por onde os dois venham a passar, sintonizar, enxergar, sentir...

Deixo o colorido da arvore morta, que em sua ultima e nobre missão, serviu de moldura para a alegria das crianças neste dia especial.

Luiz Miguel, Luiz Gustavo e João Pedro

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Onze e Suas Variações


Onze como hoje em algum lugar no tempo
Onze titulares brigando por grande alento
Torres tão gêmeas quando os 1s do 11
Onze adversários querendo levar a copa
Há onze anos um atentado aos terroristas
Onze anos um mês e uns dias atrás, o título
Há um ano, dois mil e onze, uma década depois
A glória do ultimo grande título do imortal
Terror do massacre na guerra internacional
Versos pares pra história da copa do tricolor
Versos impares pros fatos do dia do tal terror

Mas que importam os impares e pares agora?
Doze anos de década, dividido por um par é seis!
Onde eu estava há seis anos onze meses e onze dias?
Era o mês dez se iniciando em dois mil e cinco...

...excelentes recordações...
Recordações valem mais que os números...
Valem menos do que o agora, que, por vezes, recorda...
Afinal se agora são vinte e três e onze pra nós
Na nação das torres destruídas
A mesma hora seria onze e onze pm...
Quais são os números corretos?
Pouco importa...
O importante é a minha própria história!
Futebol, guerras, números e afins
São apenas planos de fundo...

P.S. Terrorismo mesmo é esta vinheta do plantão da globo:


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Infinito em pé


Oito são as letras do meu nome
Oito é o mês que agora estamos
Oito é o dia que acabará em instantes
Oito minutos no futuro começará o dia nove.
Oito é simbolizado pelo infinito em pé
Ou seria o infinito um oito deitado?
Não quero entrar no mérito simbológico da coisa
Prefiro enxergar o oito como um infinito não acomodado
Ele está de pé agora, pois sabe que permanecera inerte no fim
Fim?
A ideia de fim mata o infinito...
É aí que entra o oito.
Ele sabe-se infinito, mas está de pé
É eterno em sua duração.
Entende todo o fim como um recomeço
A oportunidade de que a novidade floresça

Em época de olimpíadas, observando os jogos
Na mágica e sonhada cidade de Londres
Fico pensando que é justo que os atletas envelheçam
Que graça teriam os 100 metros rasos se Usain Bolt fosse imortal?
Ele passaria os dias treinando e seria cada vez mais rápido.
Mas Jorge Luiz Borges ensinou que os imortais enjoam da vida
Bolt um dia se cansaria...
Todos os indivíduos, se fossem infinitos, mergulhariam no tédio
Saber-se imortal, acaba com o charme da vida
Diria até que neutraliza a palavra “vida”
O que seria da vida sem seu oposto?
Deixaria de existir! 
Imortalidade, assim posto, é igual a Morte...
Não pretendo provar esta tese
Nietzsche também não provou o eterno retorno...
...eterno...retorno...
Se eu pudesse escolher um símbolo pra isto seria o 8
O universo em expansão da ciência parece corroborar a ideia do retorno
Sístole e Diástole... Um dia tudo o que está se expandindo vai voltar
Assim tudo recomeça, e sem sabermos disso
Voltaremos a ocupar um espaço mínimo na existência
Viveremos tudo outra vez. Repetiremos cada segundo... Cada escolha...
Assim o poeta alemão ensinou que é preciso viver como se tudo fosse voltar
Infinitamente as coisas vão se repetir...
Estaremos eternamente presos a cada caminho que percorremos...
Quem chega a esta conclusão pode viver cada momento em sua plenitude
Sem a esperança ilusória de “dias melhores” no futuro...
O melhor instante, ou melhor, o único instante importante, é agora!
Nada além disto é alcançável... e tudo o que tem neste portal é eterno!

Como dizia outro poeta, este português:

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Fernando Pessoa.

Que venham outros atletas vitoriosos ao Rio de Janeiro!
Assim o homem vai superando o homem... 
Em direção ao Super-Homem?
Não estou convencido disso, mas toda novidade é necessária!
Um dia ela se tornará veterana, e vai dar espaço a outras novidades...

Mas os velhos campeões jamais são esquecidos...
Foi legal ver o povo Britânico aclamando a Paul McCartney como um patrimônio Local.
Será que no Rio mostraremos o Michel Teló?
Não quero nem pensar na abertura das olimpíadas do Rio...
Londres está legando imagens e sons emocionantes...
Tenho ouvido muito som do "Queen" nos intervalos de algumas modalidades em Londres...
Nenhuma canção combina mais com uma conquista do que esta:


Outro dia, vendo uma foto especial de 8 anos atras, eu disse que se o oito deitasse viraria infinito... Espero, no entanto, que o oito não se deite... Quem se acomoda, se esquece do valor que tem cada um destes milagrosos e por vezes "impossíveis" momentos de vida... Um universo inteiro teve que conspirar para que estivéssemos todos nós aqui e agora... Contemporâneos uns dos outros... Um universo inteiro precisa conspirar para que exista uma amizade... Que o fim das coisas não nos desanime, ao contrário, nos faça valorizar tudo o que temos... Afinal, é provável que todas as coisas voltem mesmo! E de maneira idêntica e eterna...